Em Paris é difícil repetir restaurantes, pois a oferta é tão grande, mas tenho alguns estabelecimentos aos quais gosto sempre de voltar em cada visita à capital francesa.
O Restaurante Bouillon Chartier é uma dessas exceções. E, confesso, que ainda não me conseguiu desiludir, pois considero-o uma autentica pérola parisiense à moda antiga.

Quando foi inaugurado em 1896, a ideia era “oferecer uma refeição digna desse nome e a um preço modesto, para respeitar os clientes e merecer a sua lealdade”.
Cento e tal anos depois, a filosofia continua a ser a mesma, pois a comida, tradicionalmente francesa, é ótima, os preços baixos comparativamente aos praticados pela maioria dos restaurantes parisienses e é criada uma ligação com os clientes que dificilmente se pode repetir nos outros estabelecimentos.
Julgo que dificilmente se teria aguentado tanto tempo se não tivesse muitas qualidades.

Para comer no Bouillon Chartier aconselho um almoço tardio ou um jantar bem cedo, principalmente se for ao fim de semana, pois este restaurante costuma ter sempre filas e não aceita reservas.
Ao chegar à fila um funcionário vem perguntar o número de pessoas e regista.
Geralmente, quanto menor a quantidade, mais depressa é a entrada, dado que as mesas costumam ser partilhadas com outras pessoas.

Há quem não goste deste conceito, mas eu acho piada e permite conhecer pessoas e novas culturas durante a refeição, pois o restaurante é bastante turístico.
Por exemplo, da última vez, éramos duas pessoas e jantamos entre um casal alemão e um chinês.
Foi engraçado pois durante toda a refeição trocamos opiniões e ideias sobre a comida e a cidade.

Ao entrar a experiência é única, desde a forma como penduram os nossos casacos ao impacto da beleza da sala.


Com uma decoração à “Belle Époque”, o espaço apresenta candeeiros, cartazes e objetos antigos, paredes que mais parecem janelas espelhadas, pormenores em madeira escura e uma mezzanine que funciona como outra sala, mais pequena, de refeições.
Os garçons vestem como antigamente de branco e preto.


A ementa é uma folha simples com a indicação de todas as propostas disponíveis para entrada, prato principal, queijo e sobremesa.

Os pratos são todos tipicamente franceses, simples mas muito bem confeccionados.
Ao fazer o pedido, este é registado na toalha de papel da própria mesa pelo garçon e aí fica. Acho divertido, pois o pedido escrito é só para os clientes, pois o funcionário fixa a escolha na sua cabeça.


O vinho é bom e com preços bastante acessíveis. Uma das especialidades da casa é a sangria de vinho tinto e existe a possibilidade de se poderem escolher canecas com várias capacidades.

Os franceses não abdicam das entradas. Para quem gosta, recomendo os caracóis da casa. São muito saborosos, pois bem preparados e julgo que os mais baratos que eu encontrei em Paris. As saladas de legumes são deliciosas. As entradas têm um custo de 1 € a 6.80 €.
Como prato principal, tenho várias preferências. O “Poulet fermier rôti” é muito bom. O “Pavé de rumsteack grillé” ou ainda a “Andouillette grillée moutarde” também são ótimas propostas. Os pratos principais têm um custo de 8.50 € a 13.50 €.
Antes da sobremesa, há a hipótese de escolher entre vários tipos de queijo.
As propostas para a sobremesa também são excelentes. Gosto particularmente da compota de maça, com um sabor que me recorda a minha infância. A “Crème aux oeufs” é outra excelente alternativa.
Até o momento do café é singelo, pois este é servido num pequeno copo de vidro.

Experimentem, vão ver que não se vão arrepender.
Uma opinião sobre “Restaurante Bouillon Chartier em Paris”