Barroso, Concelho de Boticas, Onde comer?, Portugal

Casa do Pedro em Vilarinho Seco

A casa do Pedro é um restaurante, localizado na magnífica aldeia de Vilarinho Seco, onde é possível provar os sabores mais característicos do Barroso, tais como o cabrito, a carne barrosã ou o fumeiro…

É uma habitação toda em pedra, de construção tipicamente barrosã, onde se continua a entrar pelo patio para chegar à sala de refeições.

As especialidades são as da região, confeccionadas na devida época e com produtos da terra. Pois tudo aquilo que se consome nesta casa também é lá criado ou produzido, para mais tarde ser cozinhado, com muita paciência bem ao modo de antigamente.

As características deste tipo de produção, nomeadamente as locais, associadas ao respeito pelo meio ambiente, fez com que o Restaurante fosse o primeiro em Portugal a receber o selo de qualidade Ceres Ecotur/Eceat, que certifica operadores turísticos em meio rural.

Apostado em manter toda a qualidade nos produtos que serve, o Restaurante só abre por marcação.

Como fomos em Março, foi difícil arranjar vaga para almoçar, pois nessa época o Restaurante, ainda, tem maior procura por causa de uma das especialidades da casa o cozido barrosão, totalmente confeccionado com carnes, fumeiro e legumes caseiros.

A linda sala toda de pedra e madeira, estava repleta de grupos que, tal como nós, tinham ido à procura deste prato.

A refeição começou com as entradas tipicas da região, assim, serviram presunto com pão centeio, rojões de porco com castanhas, alheira e linguiça assada. Tudo acompanhado por um vinho maduro tinto também feito na casa.

Ainda antes do cozido, é servido o chamado caldo barrosão, uma sopa, rica e espessa, com feijão e outros legumes. Uma delícia.

Finalmente é servido o cozido barrosão, um prato onde, entre outras, se podem apreciar carnes das várias partes do porco como pé, orelha ou peito, bem como o delicioso fumeiro da casa, a chouriça de farinha, a linguiça ou ainda o salpicão.

É acompanhado por arroz.

Durante a refeição, há sempre o cuidado de virem à mesa perguntarem se está tudo bem, se estamos a gostar ou se precisamos de alguma coisa.

As sobremesas são os doces mais característicos da região, tais como as rabanadas com mel, a aletria, o leite-creme, o bolo de noz ou ainda o pudim que é feito com uma quantidade generosa de ovos caseiros.

Embora seja uma apreciadora de rabanadas, acabei por escolher o leite creme, por ser mais pequeno, pois depois de uma refeição tão farta, já não há muita fome.

O café não é servido na mesma sala. Atravessamos a rua para ir para outro edifício, chamado de adega regional “o palheiro”

A decoração, semelhante à da sala de refeições com madeira e pedra, é complementada com utensílios, ferramentas e objetos antigos, pendurados nas paredes.

O dono, o Sr. Pedro, é extremamente simpático e gosta de conversar com as pessoas. Acaba por contar histórias da vida na aldeia ou do restaurante, sempre com uma ou outra referência à sua família.

Foi, neste ambiente, sereno e agradável que nos contou que foi graças ao realizador Fonseca e Costa, na altura das filmagens «Cinco dias, cinco noites» que teve a ideia de abrir, nesta aldeia barrosã, um restaurante.

Pois, nessa altura, estando a filmar nessa localidade, o realizador convenceu o Sr. Pedro a alimentar o elenco e a equipa técnica, o que correspondia a cerca de 100 pessoas. O agricultor fez a vontade ao homem do cinema, a sua esposa cozinhava para todos, como estava habituada à moda antiga e eles adoravam os seus pratos. Foi quando perceberam que podiam ir mais longe e criar mesmo um restaurante com este tipo de comida.

O tempo, veio mostrar que o seu projeto conseguiu mesmo contrariar a ideia de que um restaurante não pudesse vingar numa localidade barrosã tão pequena e com tão poucos habitantes, pois este já está aberto a várias décadas e não perdeu qualidade.

Afirma, com orgulho, nunca “foi preciso colocar nenhuma placa para ter gente” .

E foi depois desta agradável conversa que acabou o almoço neste sítio tão simpático.

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