Zamora é uma cidade encantadora pertencente à comunidade autónoma de Castela e Leão, nas margens do rio Douro. É relativamente pequena, mas muito rica em termos históricos, culturais e oferta patrimonial. O seu centro histórico foi declarado conjunto histórico-artístico e é a localidade que reúne o maior número de edifícios românicos por metro quadrado em toda a Europa.
Dado que fica relativamente perto da fronteira com Portugal, partimos cedo de Bragança para visitar Zamora. Ainda não existe autoestrada entre as duas cidades, pelo que, o caminho do nosso País a esta tem de ser feito por estrada nacional, onde se deve ter muito cuidado com os limites de velocidade.
Ao chegar a Zamora, estacionei o carro perto da Fundação Rei Afonso Henriques. O primeiro impacto da cidade não poderia ser melhor, pois do alto da sua colina, Zamora mostrava toda a sua beleza.



Antes de passar para a outra margem e começar a visita pelo centro histórico da cidade, recomenda-se uma visita à Fundação.



A Ponte de Pedra é do século XIII e tem 280 metros de comprimento, por isso é uma das atrações da cidade de Zamora. Percorremo-la a pé, para tirar maior proveito. As vistas para a cidade são maravilhosas.


Já do outro lado e antes de começar a subir a rua Pizarro, aconselha-se uma paragem no Hotel “Hosteria Real”. Este está localizado no chamado Palácio da Inquisição, edifício renascentista do século XVI, que foi construído sobre uma importante casa judaica da cidade, da qual, ainda, existem marcas visíveis no edifício, tal como o banho judeu, que foi preservado e, por isso, pode ser visto no rez do chão.
Também se destacam o Pátio Claustral e os jardins contíguos à Muralha Medieval da cidade.
Para os apreciadores de arte, este é um autêntico museu de esculturas góticas, pinturas do Renascimento e autores barrocos ou suas oficinas como Murillo, Zurbarán, Cerezo, Morales, Tristan, Ribera, Maino e Juan de Ribalta.



Continuando o percurso, encontramos a Igreja de São Pedro e Santo Ildefonso, uma das mais bonitas de Zamora, que com tempo merece uma pequena visita. A entrada é gratuita.

A “Plaza Fray Diego de Deza” acolhe um busto desta figura da Igreja, que devido aos seus cargos na inquisição, tem sofrido algum vandalismo letras arrancadas, por exemplo, por nem sempre ser bem aceite. É já o segundo, pois a primeira estátua foi arrancada e lançada ao Douro.
Polémicas à parte é uma praça rosa, muito tranquila e bonita.
O “Mirador del Troncoso” tem umas vistas fantásticas sobre o rio Douro.

Nas traseiras da catedral e junto ao miradouro, a “Puerta del Obispo” era a porta de entrada pela zona sul da cidade.
É aí visível uma placa comemorativa da vitória das tropas zamoranas, sob o comando de Afonso IX, durante a conquista da cidade de Mérida.
Esta entrada está junta à praça onde se situam o Palácio Episcopal e a Casa Del Cid.
A Catedral de Zamora localiza-se no ponto mais alto da cidade, é uma das catedrais mais pequenas e mais antigas de Castela e Leão.


O cimborrio, de influência bizantina e com escamas de pedra, bem como a Torre del Salvador são duas marcas deste monumento.

Esta pode ser visitada, bem como o seu museu, mediante compra de bilhete de entrada.
A “Fundación Baltasar Lobo” reúne o trabalho do escultor zamorano. Podemos aceder a esta a partir da praça da catedral.
Pela “Calle Alcañices” entramos nos jardins do Castelo de Zamora, onde também é possível ver algumas das esculturas de Baltasar Lobo.

As ruínas do Castelo de Zamora Castelo estão muito bem preparadas para visitas. Podem ser apreciadas do exterior ou do interior. Possuem uma Torre com vista panorâmica sobre a cidade.


Fomos em direção ao centro da cidade pela “Calle Rúa los Notários”, que, ainda, reflete o antigo traçado do primeiro recinto medieval.
A Igreja Santa Maria Madalena é um bom exemplo de construções em estilo Românico, a começar pela porta principal de entrada. Não é permitido tirar fotografias no interior desta igreja.
A Praça de Viriato é muito bonita. É rodeada por belos edificios. Nesta destaca-se o entrelaçado de plátanos típico desta região de espanha e a Estátua de Viriato.





Esta é verdadeiramente impressionante representa o herói lusitano, que conseguiu conter a expansão romana na Peninsula Ibérica, derrotando os romanos em várias batalhas. Aparece fazendo uma saudação com o braço direito e segurando uma túnica e uma espada com o esquerdo. Na sua base aparece a legenda: TERROR ROMANORUM e está assente numa pedra com a cabeça de um carneiro.

Do outro lado da praça podemos encontrar a “Biblioteca Pública Del Estado En Zamora”, um belo edificio todo ele dedicado à leitura.

Um pouco mais a baixo, encontra-se a “Iglesia de San Cipriano”, para mim, a mais bonita de todas, pois é uma das mais antigas da cidade. Está situada junto à muralha do primeiro recinto. A sua magnífica acústica faz com que seja aproveitado para cenário de eventos musicais.



O Mirador de San Cipriano, tem umas vistas sobre o resto da cidade.

Continuando, encontramos o colorido edificio do “Teatro Ramos Carrión de Zamora”.

E chegamos à “Plaza mayor”, como já era um pouco tarde, acabamos por almoçar na praça no restaurante Casa Bernardo. Um espaço muito agradavél e simpático, com as especialidades da região, por isso acabamos por comer uma deliciosa paella. Aconselho a não chegar muito tarde, para ter oportunidade de ficar na sala de cima, pois na de baixo não se consegue ter a mesma experiência, como, por exemplo, poder apreciar o vai e vem das rotinas da praça.

Terminado o almoço, foi tempo de visitarmos a Plaza Mayor. É uma praça com várias esplanadas e uma igreja de estilo românico, a de São João, localizada mesmo no seu centro, é, ainda, ladeada por edifícios históricos. Podem ser vistas casas construídas de acordo com o movimento modernista. E, ainda, o antigo e o recente edifício da câmara municipal.
É diferente das que se costumam ver nas outras cidades espanholas, pois tem dimensões mais reduzidas, mas tem o seu encanto, pela simplicidade, timidez e algum colorido que acaba por ter proveniente das lojas localizadas ao seu redor.
A rua de Balborraz, ao lado da Praça, é uma das mais pitorescas da cidade.






“Monumento al Merlú” é formado por duas pessoas, sendo que uma toca trompeta e outra, tambor, encarregados de chamar as pessoas para dar início a uma procissão.



Seguir pelas artérias mais comerciais da cidade até ao Palácio de los Momos.





O Palácio de los Momos é o atual palácio da justiça, daí não poder ser visitado por dentro. A sua fachada exterior foi classificada como monumento nacional.



É belo o edifício onde está localizada a Subdelegação do Governo em Zamora.


Em frente, podemos ver a Igreja de Santiago.

Um pouco mais à frente encontramos o Mercado De Abastos. Hoje em dia, além de ser um ponto de referência para quem procura produtos locais e de qualidade, é também um importante foco de atração para turistas e visitantes.

Em frente está a “Churrería Chocolatería Malu” da qual se diz que tem os melhores churros com chocolate do mundo. É um bom sítio para o lanche, mas, por vezes, é necessário esperar por mesa, pois costuma ter bastante gente.
No regresso, ainda, houve tempo, para ver as Azenhas dos Olivais, moinhos de água reconvertidos em espaços turísticos com informação sobre a cidade e o rio. (Pode ver mais informações aqui)

Por todos estes motivos, Zamora é uma das minhas cidades preferidas, que não me canso de visitar.