Na minha recente viagem ao Sul de França, foi-me sugerido, por um local, visitar uma pequena aldeia perto de Bandol, chamada “Le Castellet”. Falava da sua beleza com entusiasmo. Disse-me que, até, tinha sido a localidade escolhida para o cenário do filme “la femme du boulanger”, um clássico do cinema francês, inspirado na obra de Marcel Pagnol.
Vi, logo, que era uma ótima sugestão, por isso, visitei na primeira oportunidade. E não me arrependi.
Le Castellet é daquelas terras da Provença onde o tempo parou e, ainda bem que parou, pois permitiu e permite, que esta linda aldeia medieval se mantenha muito fiel a si própria.

Fui de carro até à aldeia, ou melhor até aos parques de estacionamento localizados perto, pois não é permitida a circulação de viaturas na localidade, partindo de Marselha, o que corresponde a uma distância de aproximadamente 40 km.
A estrada que permite aceder à aldeia, lá bem no alto, é muito pequena e com uma grande inclinação, mas é um prazer, ainda, poder ter esta oportunidade de percorrer caminhos como este.
Ao longe já era possível vislumbrar “le village perché” (como o chamam os franceses) bem lá no alto, protegido pelas suas muralhas do século XI.
Mas o maior impacto é, sem dúvida, entrar pelos vários portões existentes na muralha e deixar-se encantar pela beleza da aldeia, pois ao chegar ao interior do recinto parece que se entra num outro mundo, ou pelo menos, num outro tempo.

Pequenas ruelas, aparentemente todas iguais. Floridas e coloridas. Onde sabe bem caminhar.

Nestas, localizam-se pequenos comércios e muitos artesãos, onde se podem comprar peças e artigos bastante interessantes e originais.
Adquiri peças em prata, fora do vulgar e por um preço muito razoável.

As casas, essas, são pequenas. Foram construídas em aglomerados de habitações e cresceram à volta da igreja e do castelo da aldeia, tal como era costume neste tipo de aldeias medievais que viviam sob a dependência de uma determinada fortaleza.
Os pormenores são muito interessantes e vale, bem, a pena serem devidamente apreciados.
A igreja “Transfiguration du Sauveur” é o edifício mais representativo da época da aldeia, pois algumas partes, tais como a abside ou ainda a extensão do coro, pertencem à construção original, que data do fim do século XI e início do XII. Só em 1754 é que a igreja foi aumentada.
O castelo é mais recente, pois foi praticamente todo reconstruído no século XV. Foi ocupado pela nobreza até à revolução francesa. Desde 1969, passou a ser usado como o edifício da câmara municipal.
O momento mais poético e romântico da visita ocorreu na praça do castelo, onde uma passagem na muralha designada por “le trou de Madame”, com umas vistas espetaculares sobre as serras à volta, nos relembra a lenda das senhoras que, aí, aguardavam o regresso dos seus maridos.
E depois destas voltas todas, sabe bem uma água fresca com um café. Escolhi um cantinho muito simpático para o fazer e repousar um pouco, a “Auberge de l’Ormeau”.
Para concluir a minha visita, optei por regressar ao carro, por um pequeno caminho, “Le chemim du Tour de Veille” junto à parte exterior da muralha. Adorei e as vistas são fantásticas.