Se eu tivesse que destacar, apenas, um elemento para caracterizar a beleza desta região, não hesitaria, nem um segundo, em escolher as “Calanques”. Estas maravilhas da natureza que podem ser apreciadas entre Marselha e La Ciotat e que estão integradas no “Parc National des Calanques”, um parque criado com o intuito de proteger e preservar estas zonas.
Estes pequenos retiros de mar, talhados nas falésias, são paradisíacos.
A “calanque de Figuerolles” é um desses pequenos paraísos.

Localiza-se a poucos minutos do centro da localidade de La Ciotat e o acesso, contrariamente ao que acontece com outros locais deste tipo, não é muito difícil, pois basta percorrer os 87 degraus de uma escada toda em pedra.




Podem deixar o carro no parque de estacionamento privado que existe à entrada, ou se tiverem um pouco mais de paciência, podem estacionar, sem nada pagar, nas pequenas ruas que por aí abundam.
Ao descerem as escadas, antes de chegar à praia, encontra-se um pequeno café, onde sabe bem, pelas horas do calor, refrescar-se. Também podem comprar refeições ligeiras, tal como sandes, saladas, crepes…para comer na sua, tão, simpática esplanada.




“Chez Tania” é um restaurante familiar, localizado a caminho desta praia desde 1956, muito conhecido, onde podem comer as especialidades da região, mas com as vistas mais bonitas que se podem encontrar por aqui. É muito conhecido e uma opção para muita gente. É frequente aí encontrar os governantes franceses. Os preços são, no entanto, bastante elevados.
Os donos, também, têm um pequeno Hotel, se assim lhe podemos chamar, composto por vários quartos e apartamentos, onde todos gostaríamos de ficar, até por tempo indeterminado, para podermos, verdadeiramente, apreciar a beleza da Calanque. Afinal, que não gostaria de adormecer e acordar num paraíso como este.



Foi com muita graça que os proprietários da época, pois agora é o neto que toma conta, quando adquiriram este espaço o auto proclamaram “République Indépendante de Figuerolles (RIF)”, por considerarem que era um local tão fora do vulgar que não podia pertencer a nenhum País, se não a ele próprio. A lenda diz, que nesta pérola escondida entre duas falésias, nem as horas são iguais, existindo uma diferença de uma hora (a menos) em relação a França, pois o tempo, aqui, passa mais devagar pois impera o Dolce Far Niente, que é a palavra de ordem neste paraíso.
Descendo as escadas até à praia é que se percebe o porquê de se chamar Figuerolles, que na Provença quer dizer jardim de figueiras, pois a praia está repleta destas árvores, o que a torna completamente diferente de tudo aquilo que já se viu e linda de morrer. Até a entrada se faz passando, por baixo, de várias figueiras.


A vista, lá em baixo, ainda é mais bonita.


A praia não tem areia, mas sim pedras arredondadas que os franceses, tão, carinhosamente chamam “galets”. Estes, são mesmo uma opção, pois para estar todo o dia deitado a bronzear não é o mais indicado.

No entanto, existem vários cantinhos, nas próprias pedras, onde é possível aproveitar mais o sol.

A água é turquesa. Apetece logo mergulhar. Percebe-se, de imediato, que é um local de mergulho submarino, pelo número de pessoas com equipamentos para este tipo de atividade.


Não se vê aqui, a confusão sentida nas outras praias mais frequentada pelos turistas, pois, aqui, estão as pessoas que valorizam, mais, este tipo de experiência mais selvagem.

O azul-turquesa do mar contrasta com o castanho das falésias, tornando esta zona um pouco diferente das paisagens de Provença, ou mesmo, das outras calanques entre Marselha e Cassis, que são brancas.







As falésias conferem à paisagem umas vistas impressionantes.


No meio da água, um enorme rochedo, o rochedo do leão é o prazer dos mais jovens, que aí aproveitam para mergulhar, isto de uma altura considerável.


Um pequeno cais permite, aos que chegam mais cedo, um acesso direto à agua e uma superfície mais lisa para se deitarem.


Os barcos passeiam muito por esta zona e, até, se percebe o porquê da escolha do local.



E podia estar aqui a tentar arranjar as palavras merecidas para descrever tão belo lugar, tantas vezes, imortalizado pelos artistas que se apaixonam por esta paisagem, tal como o pintor George Braque ou, ainda, o cineasta Othon Friesz, mas acho que seriam sempre em vão e insuficientes, pois é um cenário de cortar a respiração, que merece ser sentido ao vivo.
De todos os lugares vividos durante esta minha estadia pelo sul de França, foi, sem dúvida, o que eu mais gostei. E que repeti imensas vezes.
Sei que voltarei a este lugar, onde até o conceito de tempo é diferente!…
Uma opinião sobre “Calanque de Figuerolles, onde nem o tempo é igual!…”