É verdade que, hoje em dia, o Porto está na moda e é visitado por milhares de turistas, mas a minha ligação ao Porto e com o Porto é bem mais velha do que esta recente tendência. Foi onde estudei, onde vivi vários anos, daí o meu olhar sobre a cidade ser mais atento. Um amor antigo.

Uma zona destacou-se, sempre, para mim. A da Ribeira. Era a parte da cidade escolhida para as saídas à noite, pois com a sua revitalização, nos anos 80 do século XX e a abertura de bares e cafés, passou a ser o ponto de encontro para a animação noturna, o que a tornou mais segura, contrariando a má fama que tinha de zona perigosa e degradada.
Hoje, revitalizada, é considerada uma área nobre da cidade, onde abundam os restaurantes e hotéis, pois é muito marcada pelo turismo e até há quem diga que perdeu o seu encanto. Mas se é verdade que mudou, muito, nos últimos anos, para se adaptar a todos estes turistas também é verdade que ela continua a ser um dos locais mais antigos e típicos da cidade, pois as casas, os monumentos, as tradições…ou seja aquilo que um dia nos aproximou e encantou a este e neste lugar, estão lá.

De origem medieval, esta zona do Centro histórico do Porto é património mundial da UNESCO e foi aqui que viveu uma das figuras mais carismáticas da cidade: o Duque da Ribeira, conhecido por ter salvo várias pessoas de morrer afogadas dado conhecer todas as correntes do rio Douro e muito lembrado no Porto.
Gosto de deixar o carro perto da Alfandega e percorrer o caminho até lá, junto ao rio. Aproveito para apreciar as vistas sobre o Douro e as casas dessa zona antes de entrar nas ruas e ruelas da Ribeira.



A casa do Infante é assim chamada por se acreditar que aí nasceu o Infante D. Henrique.


A praça da Ribeira é o local mais conhecido e geralmente associado à zona da Ribeira e, popularmente conhecida por praça do cubo. É assim chamada devido a uma peça de escultura da autoria de José Rodrigues, o cubo da Ribeira, que coroa um chafariz do século XVII, descoberto no centro da praça.


Ali mesmo ao lado, no nicho da Fonte da praça da Ribeira, pode ser apreciada uma estátua de São João Baptista, da autoria do escultor João Cutileiro.


Da praça saem várias ruas e ruelas de uma enorme beleza e onde podemos sentir, ainda, muito da alma do Porto antigo. Gosto de as percorrer. Ouvir as conversas dos locais com o sotaque tão característico das gentes do Porto, ver a roupa estendida nas janelas, cheirar a comida que por ali se cozinha, sentir o viver mais genuíno de uma cidade que teima em manter o seu dia a dia.


A rua da Fonte Taurina é um desses exemplos, ou, ainda, as pequenas ruelas localizadas na parte mais antiga da Ribeira. As do Bairro do Barredo, por exemplo, as minhas preferidas, pois são as ruelas que ficam por trás das casas coloridas, que admiramos quando estamos na margem do rio Douro.




Descobrem-se nestas ruelas verdadeiros tesouros históricos, tal como a casa da torre ou ainda lindo pormenores arquitetónicos.


Ligam ao Cais da Estiva, local de onde partem os cruzeiros e que tem uma vista fantástica sobre o muro dos Bacalhoeiros, que mais não é do que a continuação da Muralha Fernandina.



Esta muralha surge pela necessidade da cidade ter um espaço amuralhado mais vasto do que o existente aquando da Cerca Velha, pois os burgueses com casas e negócios localizados fora, não se sentiam protegidos. A designação de “Muralha Fernandina”surge pelo facto da obra ser apenas concluída no reinado de D. Fernando. Possuía várias portas e postigos, dos quais só sobreviveu um único, o Postigo do Carvão.

Este Cais é dos melhores lugares para obter uma vista privilegiada do conjunto das duas margens do Douro.


Continuando pelo Cais, existe um baixo-relevo da autoria de Teixeira Lopes (pai) ‘Alminhas da Ponte’, alusivo à Tragédia da Ponte das Barcas, que ocorreu naquele local em março de 1809. O avanço das tropas de Napoleão fez com que a população corresse em massa para a ponte, feita de barcas, que não aguentou o peso da multidão e acabou por ceder, morrendo milhares de pessoas.

Posteriormente foi construída uma ponte pênsil, mas como não oferecia grande segurança rapidamente foi abandonada e construída a Ponte de D. Luís I. Os pilares dessa ponte ainda hoje existem.


Comprar artesanato típico e/ou souvenirs é fácil nas ruas da Ribeira. Também é muito comum encontrar artistas de rua a fazer as suas performances.

Gosto sempre de atravessar a ponte D. Luís a pé para poder apreciar a Ribeira do Porto da outra margem.






Da ponte as crianças da Ribeira costumam mergulhar nas águas do rio Douro.


E para aproveitar a ida ao cais de Gaia, é sempre bom visitar as caves do Vinho do Porto. Aconselho, para quem não quiser andar muito, as caves Burmester, já que estão localizadas mesmo à saída da Ponte.


