Portugal

Lavar a alma nas Fontainhas…

Geralmente associam-se as Fontainhas ao São João e, por isso, são muitas as pessoas que escolhem a Alameda das Fontainhas para passar essa noite.

Mas a Alameda das Fontainhas já existia muito antes. Aliás a escolha deste local para os festejos do padroeiro da cidade, surge quando, num determinado ano, um senhor decidiu aí servir cabrito com arroz de forno na rua para todas as pessoas presentes. A adesão foi enorme e a palavra passou, levando a que cada vez mais, de ano para ano, as Fontainhas fossem escolhidas para aí passar a noite de São João.

A Alameda foi construída aquando da abertura da cidade para além da muralha Fernandina, tendo sido a primeira grande varanda do Porto sobre o rio Douro.

É um local muito interessante e com vistas fantásticas sobre as duas margens, do qual, hoje, também se pode observar algumas das pontes do Porto.

Dado não ser muito conhecido, não tem aquele turismo de massa, contrariamente ao que acontece em outros pontos da cidade e, por isso, pode-se apreciar o rio Douro com toda a tranquilidade necessária e de forma muito genuína. Pode ser feito, recorrendo a vários pontos como por exemplo do miradouro das Fontainhas, ou ainda, da ponte do Infante, que pode ser atravessada a pé. Gosto.

Mas aquilo que eu mais gosto neste bairro e o motivo deste texto são os tanques públicos de lavar a roupa, a sua localização, mesmo “por cima” do rio Douro e aquilo que eles representam para estas pessoas.

Embora, hoje, já sejam muito pouco utilizados, pois cada vez há mais máquinas de lavar roupa, gosto desta imagem das Fontainhas e das suas lavadeiras.

Eram mulheres de coragem que, a pé, recolhiam a roupa das pessoas mais abastadas, por toda a cidade, a lavavam, secavam e voltavam a entregar. Eram pagas por esse serviço e era a forma de sustento das suas famílias.

Esta ligação às suas tradições e aos lavadouros ainda se mantém.

De vez em quando lá aparece uma senhora ou outra para lavar a sua roupa e estes momentos, ainda, estão na memória da maioria das mulheres do bairro.

Também se dinamizam algumas atividades nos tanques, promovidas por associações locais para manter esta ligação das gentes à sua história.

Se gostam desta parte mais genuína das coisas em locais, ainda, pouco conhecidos e frequentados pelo turismo de massa, é  um local que eu recomendo.

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