Sempre que vou a um determinado sítio, gosto de visitar os seus templos religiosos, por um lado porque são espaços que contam muito da história da localidade, por outro, pois sou uma grande apreciadora de arte e estes são os locais ideais para se poder observar pintura, escultura, arquitetura, entre outros. Existem várias igrejas no concelho de Boticas, muito interessantes deste ponto de vista e que, por isso, merecem uma pequena visita. A Igreja de Santa Maria em Covas é um desses casos.

Considerada um Imóvel de Interesse Público desde 1967, o seu estilo arquitetónico faz com que esteja inscrita no movimento românico da região. Sofreu, no entanto, e tal como outras obras desse estilo, algumas intervenções ao longo dos tempos, que, também, marcaram a sua arquitetura e decoração.
A sua localização permite umas vistas particularmente privilegiadas sobre a zona envolvente.

A Igreja é circundada por um adro de terra batida e vedada.


Numa das entradas laterais, pode-se observar a pia de água benta, que se encontra num bom estado de conservação.

A entrada principal fica nas traseiras do edifício, mesmo em frente à torre sineira, que se encontra afastada da igreja, encaixada num muro do adro. É, para mim, o mais bonito pormenor deste templo.


Um pouco mais longe, uma cruz é mais um dos belos pormenores que se podem observar no adro.

O templo apresenta uma planta longitudinal e é composto por uma cabeceira e uma nave na qual se destacam capelas quadrangulares de cada um dos lados, a do Evangelho e da Epístola.
A Igreja é pavimentada com lajes graníticas onde se podem ver lápides tumulares.

O teto é de caixotões pintados que combinam com belos pormenores de madeira e nas paredes destacam-se pinturas setecentistas.


O coro alto é simplesmente uma obra de arte, com madeira policromada onde se destacam anjos, em relevo, pintados.

Nas duas capelas laterais encontram-se altares em talha dourada, decorados com telas e imaginária religiosa.


Do lado do evangelho , uma entrada lateral permite aceder ao interior da Igreja.

Do lado da epístola, está localizado o túmulo de Afonso Anes Barroso, escudeiro de D. Afonso I, Duque de Bragança. Sepultura, que data de 1459, com uma tampa que representa um figura humana deitada, que tem na parte superior, um travesseiro sob a cabeça e aos pés um pequeno animal.

Na capela-mor podem-se observar pinturas que retratam passagens da vida de Maria, de Jesus Cristo e episódios bíblicos, nas paredes e no teto. 

É, sem dúvida, um local a visitar.