Nunca tinha ido às celebrações de São Sebastião em Cerdedo e, por isso, este ano acabei por aceitar o convite duma colega para assistir aquela, que de acordo com alguns registos, é a festa, em honra a este santo, mais antiga do concelho.
Caracteriza-se por continuar a ser uma celebração religiosa com espírito comunitário, onde relativamente pouca gente participa, para além dos habitantes da aldeia.

Começa cedo pela manha, cerca das 9 horas, com a missa da festa. A igreja é relativamente pequena, mas muito acolhedora, para além de estar localizada num local privilegiado da aldeia, com umas vistas espetaculares sobre a zona envolvente.

Após a missa, as pessoas vão em procissão, atrás da figura de São Sebastião levada por um mordomo, até à chamada casa do Juiz.
No piso superior e, com a presença do santo, o padre benze e abençoa o pão, o vinho e a carne de porco, aí expostos.


Segue-se a refeição comunitária, no piso inferior da casa, onde os participantes podem degustar pão e carne de porco do peito, acompanhados de vinho, trazidos pela esposa do mordomo.
Inicia-se a refeição, munidos de, pelo menos, uma navalha para cortar a comida. É um momento de convívio, onde as pessoas vão falando umas com as outras. No final é servido um pouco de aguardente ou vinho do Porto.
Chega a hora das ofertas, a partir das escadas da casa guardados em grandes cestos, é doado a cada visitante, um quarto de broa, o que equivale a aproximadamente um quilo de pão, carne e vinho tinto, partilhado em garrafas trazidas pelas pessoas.

O pão santo, como é chamado, será posteriormente dividido pelos membros da família e até pelos animais, como forma de protecção para todos.
A celebração termina com um leilão, onde do alto das escadas são postos à disputa pedaços de carne de porco fumada para ver quem licita pelo valor mais elevado.
