O domingo estava solarengo, por isso, nada melhor que aproveitar os encantos de Belém.
Conheço este bairro desde a minha infância, quando, durante as minhas férias escolares deslocava-me à capital e, na companhia dos meus tios, todos os passeios por Lisboa, terminavam sempre lá, para degustar um pastel. Recordo-me que já era tanta gente a fazer o mesmo, que eram servidos ainda mornos e eu adorava.
Hoje, muita gente afirma que Belém se descaracterizou e que se sente incomodada pela enorme afluência de turistas, as suas selfies e as longas filas, eu não partilho dessa opinião, pois tudo lá continua, os monumentos e o rio. Visitar este bairro é abstrair-se da quantidade de pessoas, para nos podermos concentrar na sua alma, onde a história e a modernidade se conjugam lindamente.

Ao chegar, estacionei o carro num dos parques que por ali existem e caminhei, um pouco, à beira rio, tal como adoro, quando o tempo o permite.

Antes de começar, propriamente, as minhas visitas, precisava de um café. A escolha do estabelecimento recaiu sobre a confeitaria nacional, um edifício todo em vidro, que proporciona aos clientes, uma esplanada localizada sobre a água, da qual se conseguem umas vistas excelentes.

Aproveitei para comer aquele que seria o meu primeiro pastel de Belém nesse dia.
Com filas de turistas, muito grandes, para visitar a magnífica Torre de Belém, acabei por só admirá-la do lado de fora, deixando para outro dia uma visita, mais pormenorizada, ao seu interior.

Pretendia visitar o Mosteiro dos Jerónimos e o museu nacional da arqueologia.

Aqui, também, as filas eram grandes, mas como portuguesa, ao domingo, tenho direito às entradas gratuitas. Para tal, apresentei o cartão de cidadão na receção do museu, onde não existe qualquer fila, e aí levantei os meus bilhetes. Tal só é permitido até às 14h00, pois a partir dessa hora já se pagam as entradas.
Comecei pelo Mosteiro dos Jerónimos e pelos seus magníficos claustros, que numa combinação de símbolos religiosos com outros mais naturalistas, são um belo exemplar de arquitetura manuelina.





Tem uma planta quadrangular, distribuída por dois pisos. Do segundo andar as vistas ainda são mais bonitas.

Foram construídos para serem um lugar de paz e tranquilidade, para que os monges se pudessem dedicar às suas orações.
A Igreja Santa Maria de Belém tem uma planta em cruz latina, composta por três naves.
À entrada encontram-se os túmulos de Vasco da Gama e de Luís de Camões.

Na capela-mor introduz-se a arte maneirista, o que contrasta com o resto da arquitetura manuelina.
Tinha muita curiosidade em visitar o museu nacional de Arqueologia, pelo facto de lá estar a estátua original do guerreiro calaico encontrado em Campos no concelho de Boticas.

Aí pude apreciar, várias exposições, temporárias e permanentes, que nos traziam de volta várias culturas e civilizações.



Numa exposição dedicada ao tema das religiões na Lusitânia, encontrei o guerreiro calaico.


Acabei já tarde a visita ao museu, pelo que fui almoçar. Queria aproveitar este sol, tão agradável em Fevereiro, e comer numa das esplanadas que por ali existem, todas seguidas na rua. Não foi fácil, arranjar mesa, mas lá se conseguiu. Não hesitei, na escolha da comida, pois tinha várias opções de peixes e carnes grelhadas, de que tanto gosto, escolhendo uns chocos à lagareiro com batata a murro, que, não sei se por estar a almoçar ao ar livre, me deliciaram.
Mas a tarde ainda tinha de ser mais explorada, daí, aproveitei para ir visitar o Museu Coleção Berardo no Centro Cultural de Belém.

O museu tem vários pisos que acolhem exposições temporárias, para além das obras permanentes.



Fiquei impressionada com a qualidade e diversidade das coleções permanentes, com obras dos mais conceituados pintores, tais como, Dali, Picasso, Modigliani, Pollock, Andy Warhol, entre outros. 







Foi uma agradável surpresa poder apreciar exposições com esta qualidade.
A tarde estava no fim, mas passeio que é passeio em Belém, termina sempre à volta de um bom pastel na sua casa mãe “pastéis de Belém”, que continua a seguir a receita, secreta, dos primeiros doces fabricados pelo Mosteiro, aquando da sua sobrevivência económica.
O dia solarengo de domingo estava a acabar pelo que tinham chegado as horas de regresso.