Concelho de Lisboa, Portugal

Do Chiado ao Cais do Sodré…

Lisboa é uma cidade bonita. Cheia de vida e com alma. Sabe bem percorrer as suas ruas animadas, só pelo simples prazer de as percorrer. Uma bela opção pode ser, por exemplo, um passeio do Chiado até ao Cais do Sodré, para se sentir a Lisboa histórica cheia de histórias para contar. Foi o que eu fiz aquando da minha última estadia pela capital.

Saí na estação de metro do Chiado, que já por si, é bem diferente de todas as outras, até pelo número de escadas a percorrer para se chegar à superfície. Ao sair, geralmente, há animação junto ao Café da Brasileira, um dos estabelecimentos comerciais clássicos da cidade, mas desta vez, não foi possível, pois havia obras na rua e até a estátua de Fernando Pessoa estava coberta por um plástico para a proteger. Mas o Largo do Chiado é sempre uma boa opção para iniciar este ou qualquer outro passeio.

Descer a rua Garrett é um convívio com muitas pessoas, pois está, sempre, apinhada de gente, numa caminhada que tem um magnífico pano de fundo, os Armazéns do Chiado.

A Rua do Carmo, uma das minhas preferidas, não é muito grande, mas a sua proximidade de zonas como a Baixa, o Chiado e o Bairro Alto, acaba por lhe dar uma grande importância a nível comercial. Assim é possível, apreciar todo o tipo de lojas, desde as mais antigas de comércio mais tradicional às marcas internacionais mais conhecidas.

Esta vertente mais comercial até foi tema duma canção dos UHF, que acabou por ser um grande sucesso na época em que saiu, da qual me lembro, sempre, que lá passo e que dizia o seguinte:

“Rua do Carmo, rua do Carmo
Mulheres bonitas, subindo o Chiado
Mulheres alheias, presas ás montras,
Alguns aleijados em hora de ponta

Olha como é, a Rua do Carmo
Olha como é, a Rua do Carmo

Jurás com a saia, do Bairro Alto
Putos estendidos, travando o passo
Onde o comércio, cativa turistas
Quem come com os olhos, já enche a barriga”

Mas esta rua ficou muito marcada pelo Incêndio do Chiado de 1988, pormenor que é (re)lembrado na rua, através de placas. A partir desse período, tudo se alterou e até passou por um período de decadência, que só foi contrariado a partir da reconversão dos antigos Armazéns do Chiado para um centro comercial.

O Elevador de Santa Justa, também chamado, por muitos, de Elevador do Carmo é, para mim, um dos monumentos mais bonito da Baixa de Lisboa. Consiste num sistema de transporte, composto por uma torre metálica onde circulam duas cabinas.

img_20200201_1736414229683717512190515.jpg

IMG_20160603_130048IMG_20160603_130053

A Rua Augusta é outra famosa rua da Baixa de Lisboa que liga a Praça do Rossio à Praça do Comércio. É muito comercial, já que é ladeada por lojas, a grande maioria, de marcas internacionais.

O famoso arco triunfal é aquele pormenor que faz realmente a diferença e a porta da Baixa de Lisboa.

Esta rua está fechada ao trânsito e é muito frequentada por artistas de rua, artesãos e vendedores ambulantes que aí mostram as suas mais diversas habilidades.

IMG_20160603_152924

A Praça do Comércio, a quem muita gente também chama Terreiro do Paço, é uma praça que acolheu, durante cerca de dois séculos, o palácio dos Reis de Portugal. Após o terramoto que destruiu parte da cidade, a sua imagem foi totalmente alterada. É uma das marcas da visão que o Marquês de Pombal idealizou para Lisboa.

img_20200201_1748285940265482057112125.jpg

Está situada junto ao rio e é rodeada por belos edifícios que acolhem alguns departamentos governamentais, atividades culturais e promocionais, hotéis, restaurantes e cafés.

No centro da praça, pode-se apreciar uma magnífica estátua equestre, da autoria do principal escultor português do século XVIII, Joaquim Machado de Castro.

A Praça foi, ainda, durante muito tempo a entrada nobre de Lisboa, onde a partir dos degraus de mármore no Cais das Colunas foram recebidas várias personalidades.

Continuando a caminhada, pude apreciar toda a azáfama que é o final do dia junto ao rio, desde a necessidade de mostrar as mais diversas habilidades até à, simples mas bela, contemplação do pôr-do-sol sobre o Tejo.

Ao longe a ponte e o Cristo Rei assistem de forma silenciosa a este belo fim de dia, (re)lembrando que a margem sul está atenta e presente.

img_20200201_1812101132699751977589639.jpg

Para dar continuidade a toda esta azafama, sentida e vivida junto ao rio, a escolha do local para jantar acabou por recair no Mercado da Ribeira, que tem este meu espírito animado. Um conceito, muito original, criado de raiz num histórico mercado de frescos de Lisboa, pela equipa da revista Time Out Portugal, apenas com as melhores ideias e negócios de Lisboa, combinando restaurantes, bares e sala de espectáculos com vendedores de carne, peixe, fruta e flores, mais conhecidos e antigos, da cidade. Uma mudança que acabou por dar muita vida a este bairro, de dia e de noite.

img_20200201_1822003606257184694254161.jpg

Milhares de pessoas passam por aqui durante o dia, dividindo os lugares disponíveis nas longas mesas de madeira, para poder usufruir de comida para todos os gostos e todos os preços, desde os sabores regionais portugueses à comida de autor, aqui tudo é possível encontrar.

img_20200201_190447_533551017011294030389.jpg

Uma porta nas traseiras do mercado assinala a direção para a chamada Rua cor de rosa, nome pelo qual é conhecida a Rua Nova do Carvalho, após um projeto de intervenção urbana que a transformou numa rua pedonal com um pavimento pintado dessa cor.

img_20200201_2028147224836708534817256.jpg

É um dos maiores locais de diversão noturna e uma verdadeira galeria de arte ao ar livre, ao ponto do New York Times a ter considerado como uma das doze ruas preferidas em toda a Europa. 

Aproveitei para ir a um dos bares que aprecio bastante e que ajudou a atrair movimento para este bairro, a “Pensão Amor“. Naquele prédio, funcionavam quatro pensões que alugavam quartos à hora a prostitutas e a marinheiros que atracavam no Cais do Sodré, vindos de várias partes do mundo. Com a intervenção urbana que toda esta zona recebeu, o espaço foi reconvertido num bar e muito mais, pois recebe desde concertos de jazz a espectáculos de burlesco, passando por peças de teatro, DJ sets e lançamentos de livros. 

img_20200201_2012133478563909135413625.jpg

Tem entrada direta pela Rua do Alecrim, mas há também acesso pela “Rua Cor de Rosa”.

img_20200201_2028017086194762622865939.jpg

A sua decoração continua a remeter para essas vivências de prostituição que ocorreram durante tantos anos nessas pensões, com o imaginário burlesco, sempre, presente , num ambiente intimista e sedutor. 

IMG_20200201_195532[1]

É um ótimo lugar para acabar um dia de visita(s) à volta de uma rica conversa entre amigos, por exemplo.