Concelho de Lisboa, Monumentos, Portugal

Panteão Nacional…Obras de Santa Engrácia

O Panteão Nacional é o monumento pelo qual, no meu entender, todos temos um carinho muito particular.

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Já há muito que o queria visitar, mas ainda não tinha calhado. Desta ultima vez, durante a minha visita à capital num fim de semana, não houve desculpas e lá fui eu, logo pela manhã à descoberta de tão nobre templo.

Deixei o carro no parque de estacionamento existente mesmo em frente e o primeiro impacto foi logo muito bom, pois é um edificio muito bonito e que dá nas vistas.

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O bairro de Alfama, ali a começar, junto ao panteão, dá um toque alegre e colorido à zona e convida logo a visitá-lo.

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Para melhor compreender os espaços que visito, geralmente leio, com antecedência, as sua(s) história(s) e foi o que aconteceu neste caso. Tudo se inicia quando a Infanta D. Maria, sensível às artes e dotada de uma cultura invulgar, manda construir, em 1568, uma igreja no local em homenagem à virgem mártir, de origem lusitana, Engrácia de Saragoça.

Várias histórias, no entanto, ficam associadas aos atrasos na conclusão da obra e, dão azo à expressão popular “obras de Santa Engrácia” para designar algo que nunca mais acaba.

Uma das mais conhecidas é o “Desacato de Santa Engrácia”. Segundo consta nos registos da paróquia local, em 1630, um jovem cristão-novo, Simão Pires Solis é detido e acusado de roubar o relicário de Santa Engrácia, após ter sido denunciado pelos vizinhos das redondezas, por ser visto, a rondar, frequentemente, a zona à noite. Declara-se inocente, mas recusa contar o verdadeiro motivo da sua presença perto do templo e é, por isso, condenado à morte na fogueira. Antes de morrer, lança uma maldição à Igreja de Santa Engrácia dizendo “É tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem!”. Mais tarde é descoberto o verdadeiro assaltante e percebe-se que a razão da sua presença no local, bem como, a sua recusa em explicar os motivos, foi para proteger o seu grande amor, uma jovem fidalga, de nome Violante, noviça no Convento de Santa Clara, com a qual tinha combinado fugir na noite em que fora preso, uma vez que o seu relacionamento era proibido pelo pai dela e que visitava em segredo todas as noites.

Mito ou não, o certo é que vários acontecimentos e azares levaram a que a obra só fosse concluída alguns séculos depois. O primeiro, por exemplo, é quando a Igreja acaba por ruir devido a um temporal, em 1681. É iniciada uma nova obra no local, em 1682, que só será terminada em 1966, não como igreja mas como Panteão Nacional, por ordem expressa do então Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, depois de já ter sido armazém de armamento do Arsenal do Exército e até fábrica de sapatos.

Uma comissão é, então, nomeada na altura para escolher as figuras históricas portuguesas a ocupar o espaço mais nobre do templo, os mausoléus no topo dos braços do transepto. Fica acordado que seriam seis: Camões, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e o Infante D. Henrique. No entanto, para evitar desagradar à opinião pública, evita-se a trasladação dos corpos e opta-se por evocar a sua memória através dos chamados cenotáfios, monumentos fúnebres que não contêm restos mortais. Mas tal não chegou para criar a tal relação emocional necessária, para que as pessoas pudessem amar ou acarinhar um panteão, sem ter com ele, um verdadeiro sentimento de pertença. As pessoas estavam habituadas a ver os Jerónimos como o Panteão português e a verdade é que os restos mortais das referências portuguesas, tal como, por exemplo, Luís de Camões continuavam e continuam lá. Facto agravado, depois do 25 de abril, pois a obra era associada a Salazar, daí algum desinteresse sobre essa questão. Só a alteração da lei e a definição das atuais honras do panteão, em 2000, é que permitiu essa maior aproximação das pessoas.

“homenagear e perpetuar a memória dos cidadãos que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.

Ao entrar no edifício para a nave central é, logo, notória a sua planta em cruz grega.

Tem uma cúpula enorme e é toda decorada com mármores coloridos.

Os seis cenotáfios encontram-se nessa área.

Existem 3 salas tumulares. A primeira acolhe os túmulos de Almeida Garrett, Guerra Junqueiro, João de Deus e Amália Rodrigues.

Uma sala que me emocionou bastante, pois acolhe a referência da grande maioria dos professores e um dos pais da Educação Portuguesa, João de Deus, mas também a nossa querida Amália Rodrigues, que eu adoro.

Na segunda são guardados os restos mortais dos escritores Aquilino Ribeiro e Sophia de Mello Breyner Andresen, o futebolista Eusébio da Silva Ferreira e o Marechal Humberto Delgado.

E finalmente na última estão sepultados os Presidentes da República Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona.

Começando a subir os inúmeros degraus existentes, cheguei ao coro-alto. Um espaço organizado em anfiteatro, reservado à entoação de cânticos religiosos. A sua localização, mais frontal, permite ter uma vista fantástica sobre a nave central e as suas semicúpulas. Lá ao fundo, no altar-mor da Igreja destaca-se o belo órgão do século XVIII.

Uma exposição estava ali presente para relembrar alguns aspetos históricos associados a esta obra.

Subindo mais uns degraus, chega-se ao centro de interpretação, um espaço onde se podem observar todo o tipo de objetos e elementos recuperados da Igreja inicial, várias peças de ourivesaria e algumas maquetas em gesso, da campanha de conclusão da obra.

Mas subindo mais um pouco, o que mais me fascinou foi o terraço, ou melhor a vista sobre a cidade e o rio que se obtém dele.

É um autêntico miradouro. Adorei.

À volta da cúpula, uma estrutura, tipo varanda, permite ter uma vista sobre a nave central, simplesmente espetacular. Só não é recomendado a quem tiver vertigens, pois é mesmo alto.

Antes de sair, aconselho visita à pequena loja do monumento, que vende todo o tipo de recordações, algumas delas mesmo muito originais.

Eu demorei, mas aconselho ou melhor recomendo uma visita ao Panteão Nacional, pois vale muito a pena.