Castela e Leão, Espanha, Salamanca

Salamanca…a cidade dos regressos

Cervantes, que eu muito prezo, afirmou um dia que:

“Salamanca faz com que todos aqueles que desfrutaram da agradável experiência de viver nela, anseiem regressar”.

Eu, concordo. Para mim, é uma das belas cidades de Espanha, onde pretendo regressar, sem necessitar sequer de lá viver. Só repito aquilo que eu gosto muito.

Salamanca seria a primeira cidade a visitar aquando dum fim de semana por Espanha, mas gostei tanto que fiquei toda a minha estadia na bela localidade e abdicar de todas as outras visitas inicialmente planeadas.

Esta alteração de planos obrigou-me a marcar novas dormidas, o que não foi possível no hotel onde fiquei inicialmente por já ter a lotação esgotada, pois na chamada semana santa, Salamanca acolhe, mesmo, muitos visitantes. Na primeira noite fiquei portanto num Aparthotel, o Zenit Hall 88 Studios, muito simpático, que fica localizado a cerca de 10/15 minutos do centro histórico, mas onde é mais fácil estacionar, uma ótima opção para quem vem de carro para a cidade. O apartamento era moderno e muito bem equipado, com 3 zonas definidas, uma pequena kitchenette, uma zona para dormir e outra para ver TV. Na segunda noite fiquei mesmo no centro histórico num hotel construído sobre as ruínas da igreja San Polo e, por isso, com o mesmo nome. A localização era fantástica pois desloquei-me a todos os locais de maior interesse a pé e, sem ter a necessidade de andar muito.

Visitar Salamanca implica, portanto, conhecer lugares magníficos, cheios de história e de histórias, bem como descobrir as vivências duma cidade muito animada. Ficam aqui algumas partilhas do que mais gostei mas o segredo é mesmo percorrer as suas ruas e ruelas sem grandes planos.

Salamanca ganhou identidade, no início do século XIII, a partir da criação da sua universidade, que chegou a ser a mais importante da Europa.

Acabou por influenciar muito a vida da cidade e dos seus habitantes. Ainda hoje se sente o espírito estudantil pelas ruas.

As várias faculdades estão espalhadas por toda a cidade, pelo que aconselho apreciar estes edifícios, nomeadamente os que se localizam na zona histórica, a começar pela bela fachada da Universidade Antiga.

A Plaza Mayor é, sem dúvida, o coração da cidade, pois tudo em Salamanca gira à sua volta.

Data do século XVIII e é, para mim, a mais bonita de Espanha.

Na parte norte, pode-se observar o palácio real, de onde, outrora, os reis assistiam às touradas realizadas na praça.

É cheia de vida, mas também de restaurantes e bares, onde tudo se junta, locais e turistas.

Aconselho o fim da tarde numa das suas inúmeras esplanadas.

Como a estadia ocorreu numa época próxima da Páscoa, assisti a uma procissão que juntou milhares de pessoas na praça e que me impressionou muito pela sua intensidade.

A seguir à Universidade e à Plaza Mayor, destaco as suas catedrais.

Sim, catedrais, pois Salamanca não tem apenas uma catedral, mas sim duas, a antiga e a nova, que embora com estilos arquitetónicos distintos se encontram unidas por uma porta. Uma continua a outra, daí a visita só fazer sentido se for aos dois edifícios, onde a exuberância gótica (com umas influências barrocas e renascentista,) de um, ricamente ornamentado, vai contrastar com o caráter do outro, muito mais austero devido aos seus traços românicos.

A fachada da catedral nova esconde alguns segredos que vale a pena descobrir, como por exemplo procurar um astronauta nos seus elementos decorativos. É um exercício diferente e engraçado.

Existem também algumas igrejas que merecem uma visita.

Em termos de edifícios, destacaria mais a casa, burguesa, das conchas, que hoje é uma biblioteca onde se pode entrar gratuitamente e apreciar os seus claustros interiores, cuja fachada é totalmente decorada com conchas, símbolo de Santiago de Compostela.

O Huerto de Calixto y Melibea é um pequeno jardim central, oculto e silencioso, mas muito romântico, pois está ligado à história de amor destas duas pessoas no livro “la celestina”.

Tem vistas muito agradáveis sobre o rio e não só.

É um local de descanso, principalmente para se recolher em dias muito quentes.

Salamanca é uma cidade de muitas lendas e histórias. Um pouco fora do roteiro mais turístico recomendo a caverna de Salamanca, localizada na cripta de uma igreja atribuída à São Cipriano. É neste lugar que dizem que Satanás ensinava aos seus alunos a nigromancia.

Para concluir, não podia deixar de falar sobre a cultura das tapas, vivida por toda a cidade, onde estas são servidas por, praticamente, todos os estabelecimentos.

Em Salamanca come-se muito bem e existem restaurantes para todos os gostos e orçamentos.

Aconselho o hornazo. É uma torta recheada com ovo e lombo de porco, chouriço, presunto…que agora se pode encontrar durante todo o ano, não se limitando apenas à semana da Páscoa.

Voltarei um dia, tal como Cervantes anunciou…