Caminhada(s), Concelho de Arcos de Valdevez, Portugal, Rios, Sistelo

Sistelo, uma aldeia bem portuguesa

Sistelo é uma pequena aldeia, de raízes medievais, do concelho de Arcos de Valdevez no distrito de Viana de Castelo, que há muito desejava conhecer.

Aproveitei, portanto, uns dias no Minho para descobrir esta localidade localizada às portas do Parque Nacional Peneda Gerês e que é uma das sete maravilhas portuguesa.

Foi classificada património nacional em 2017 e faz parte da Reserva Mundial da Biosfera decretada pela UNESCO.

Aquilo que mais se destaca ao chegar à aldeia, são os deslumbrantes socalcos verdes, que ocupam as encostas, contrariando, dessa forma, a dureza dos relevos da região e onde se encaixa à perfeição um conjunto de casinhas.

Os solcacos são autênticos terraços com assinatura humana, construídos devido a um enorme braço de ferro entre o homem e a natureza, com o intuito de poder sobreviver e ficar nesta localidade. Uma teimosia saudável.

Os solcacos foram e são a base do sustento das pessoas desta terra, pois permitem aproveitar o solo para o cultivo de vários produtos como o feijão ou a batata, ou ainda para pastagem dos animais, nomeadamente das vacas barrosãs e das cachenas.

Foi, justamente, por causa dos seus solcacos que esta aldeia ficou conhecida como o pequeno Tibete Português, embora, eu não concordo nada com essa designação, pois a localidade de Sistelo não precisa de ser comparada a nada para ser bela. Só precisa que a deixem continuar a ser Sistelo, uma aldeia pacata, inserida numa linda região, com gente simples e de hábitos muito próprios.

Já teria valido a pena apenas apreciar esta linda paisagem que, só por si, merece uma visita, mas Sistelo, apesar de ser uma pequena aldeia, tem muito mais e tanto para ver.

Muita gente, no entanto, não conhece Sistelo pelos seus socalcos, mas sim pelos seus passadiços e por ser um dos pontos principais da Ecovia do Vez. Aliás para os amantes das caminhadas, a localidade é uma referência, pois encontram nela, uns trilhos deslumbrantes, onde a fusão entre as suas encostas, rios, caminhos de pastores, entre outros é perfeita.

E foi justamente por um dos inúmeros trilhos, neste caso o trilho dos passadiços, que eu iniciei a visita a Sistelo.

Os trilhos partem do Largo do Visconde de Sistelo, um cruzeiro que acolhe os visitantes como que a dar as boas vindas.

Durante o percurso é possível apreciar alguns monumentos de Sistelo, tais como a Ermida de Nossa Senhora dos Aflitos e respetivo cruzeiro ou a ponte medieval.

Nem sempre o percurso é fácil, pois grande parte faz-se por caminhos de laje de granito, com muito uso, devido a séculos de existência.

Mas a parte que eu preferi foi mesmo a entrada nos passadiços a partir da praia fluvial.

Por um lado a montanha com quedas de água pelas pedras abaixo, por outro uma vegetação intensa a tentar esconder o rio que convida a banhos.

Ao acabar o passadiço é claro que não resisti a entrar no curso de água.

A subida até à aldeia custou um pouco, pois o calor já se fazia sentir de forma significativa.

Ainda era cedo, mas como no mês de Agosto não reservam mesas e ao fim de semana há sempre muita gente, fui para o restaurante.

A minha escolha para almoçar foi a Tasquinha da Ti Mélia, o antigo café da aldeia, entretanto remodelado para poder acolher mais pessoas.

A opção foi a esplanada que este restaurante tem, virada para a zona dos sulcacos, onde, com vistas tão bonitas, ainda, soube melhor degustar os sabores da região, nomeadamente a carne de vaca cachena.

Costumam servir esta carne acompanhada por arroz de feijão tarrestre.

Um pequeno largo, com uma fonte, à entrada do restaurante é o ponto de encontro dos habitantes da aldeia e, agora, também dos visitantes.

Após o almoço iniciei a visita às ruas e ruelas de Sistelo.

A aldeia é atravessada por uma só rua e, por isso, o centro histórico é a aldeia toda.

As ruas são estreitas, onde se podem apreciar as tradicionais casas graníticas.

A cultura do milho é uma tradição, daí existirem vários espigueiros pela aldeia.

É normal cruzar com os habitantes da aldeia ou, até, com as vacas quando regressam dos pastos.

A igreja de Sistelo tem um adro bastante grande, que permite vistas maravilhosas sobre a paisagem que rodeia a aldeia.

E com esta descoberta dos pormenores da aldeia foi passando o tempo. Era hora de partir, mas apetecia-me ficar. Tinha aquela sensação do soube a pouco.

Mas já não era possível. Sistelo tem poucas opções de alojamento o que na época alta torna, ainda, mais difícil pernoitar na aldeia.

Sei que vou ter de voltar a esta pérola da natureza, pois ficou muita coisa para ver, sentir e descobrir, nesta terra a quem, as águas do rio Vez, calmas e cristalinas, ainda, dão um toque, mais sedutor e maravilhoso.

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