A vila de Torre de Moncorvo teve judiaria desde a Idade Média.
Com a expulsão dos judeus de Espanha, muitos acabaram por se refugiar nos concelhos fronteiriços transmontanos, onde se integraram e contribuíram para o desenvolvimento desses territórios, tal como aconteceu em Torre de Moncorvo.
Este concelho passou, inclusive, a ser um dos maiores centros cripto-judeu do Norte de Portugal, facto comprovado pelas centenas e centenas de processos levantados pela Inquisição.
O Município pretende, tal como já acontece em outras regiões, apostar e desenvolver este segmento de turismo, o judaico.
Para tal criou, juntamente com um historiador, uma rota pela vila, onde é possível visitar o património cultural material e imaterial do judaísmo nesta localidade.

A câmara disponibiliza um panfleto para poder seguir esta, rota, chamada “Rota dos Judeus”, a partir da qual passo a escrever, em seguida, sobre alguns pontos de interesse que a compõem.

Iniciei a rota pela Rua dos Sapateiros, pois ficava muito próxima do local que eu escolhi para ficar em Moncorvo.
Esta rua, pelos anos 600 era praticamente toda povoada por gente da nação.
Manuel Rodrigues Isidro, banqueiro do rei de Espanha e um cristão novo muito conhecido em Torre de Moncorvo, pois tinha uma grande capacidade financeira e por isso algum poder, residia nesta rua, na maior casa que existia. Casa que se diz ter sido destruída por um incêndio.
Foi perseguido pela inquisição e, nesta mesma rua, chegou a ser agredido pelos locais que o queriam matar e que acabaram por lhe cortar um dedo, gritando nomes como “judeu”.
Tal como já referi, existia a judiaria em Torre de Moncorvo, onde até 1496, os judeus viveram separados dos cristãos.
Localizava-se nas traseiras da atual Igreja da Misericórdia, onde, ainda hoje, existe a casa que servia de sinagoga.
A casa está atualmente em fase de remodelação pois vai acolher o Centro de Estudos Judaicos.



Era uma casa particular que acabou por ser adquirida por um valor simbólico pela autarquia, que pretende, através desta remodelação, restituir o espaço à história de Moncorvo. No meu entender muito bem.
A Igreja da Misericórdia também é um dos pontos de interesse da rota.

Vasco Pires do Castelo, um cristão-novo que acabou preso pela inquisição de Lisboa e avô de Manuel Rodrigues Isidro era quem recebia as esmolas quando se construiu a casa da misericórdia.
O advogado André Nunes, também ele prisioneiro da inquisição, terá, inclusive, sido um dos primeiros provedores daquela Santa Casa.
A praça Francisco Meireles, bem no centro de Torre de Moncorvo foi, sempre, um espaço muito desejado por todos, para a realização da feira.



Este assunto terá, mesmo, criado uma luta política entre o poder municipal e os mercadores judeus.
A gastronomia de Torre de Moncorvo é marcada pela culinária judaica.
A nível da doçaria, por exemplo, as amêndoas cobertas são uma herança dessa cultura, daí as cobrideiras de amêndoas também fazerem parte desta rota.
Termino com a casa da inquisição, onde ficavam instalados os inquisidores quando se deslocavam a Torre de Moncorvo.



Também há quem lhe chame casa dos Jesuítas, pois tem o emblema por cima da porta, dessa ordem religiosa.