Tenho aproveitado estes dias de confinamento, para escrever sobre locais, que me mereciam há muito algumas palavras.
São os locais que mais me dizem, talvez por estarem cá dentro.
Paris é um desses casos, pois é simplesmente uma das cidades de que eu mais gosto.

Há uns anos, o dia acabou de forma muito dolorosa, com as imagens da Catedral de Notre Dame, em Paris, a arder.

Custou, por várias razões. Sejam as religiosas, históricas, culturais entre outras, é um monumento com o qual parte das pessoas se identifica e tem, por isso, com ele uma grande ligação afetiva. Muitas até nunca o visitaram mas as histórias ou lendas que lhe estão associadas, fizeram com que entrasse no imaginário de cada um.
Por um lado é um símbolo religioso, adorado por muitos pois veio dar expressão e mostrar a força dos católicos na cidade, pois está construída no local de uma igreja romana que rapidamente se tornou pequena para acolher tanta gente na altura da expansão desta religião.
Em termos históricos, tem muito para contar. Histórias curiosas, desde a coroação do Imperador Napoleão Bonaparte, onde este se recusou a que fosse o Papa a fazê-lo para mostrar a superioridade da França sobre a Igreja e se coroou a ele próprio e a Joséphine, à beatificação de Joana d’Arc queimada anos antes por motivos religiosos. Mas também histórias dela própria, como por exemplo, foi a Catedral que anunciou, através dos seus sinos, ao povo, a retirada dos nazis de França.
Sofreu várias remodelações que deixaram algumas marcas.
Muitas foram mesmo forçadas por alguns acontecimentos da população contra a catedral, tal como, na revolução francesa em que as pessoas decapitaram as estátuas da fachada por considerarem que representavam os reis.
Também sofreu vários roubos e o terrível incêndio de 2019 que destruiu parte.
Fala-se, também, muito do tesouro da catedral, pois esta guarda manuscritos e objetos de grande significado religioso, mas também supostamente autênticas relíquias tais como a coroa de Cristo e parte da cruz onde ele terá sido crucificado.
A catedral tem duas torres que se destacam na sua fachada.

Estas podem ser visitadas e permitem apreciar uma vista fantástica da cidade, visitar o local onde supostamente viveu o chamado corcunda de Notre Dame, personagem de um livro de Victor Hugo, mas também ver de perto as famosas gárgulas.

A fachada é, no meu entender, uma verdadeira obra de arte. A mais bonita. Consegue, sem cansar, reunir inúmeros pormenores de grande beleza.





A catedral é um dos monumentos mais visitado em Paris, por isso as filas, por vezes, são longas para se poder entrar. Mas compensa a espera.



Como é um templo religioso existem algumas restrições para se poder entrar no seu interior, tais como o cuidado com a indumentária. Não se pode, por exemplo, entrar de calções.
Numa das vezes, o jovem casal que se encontrava à minha frente na fila, após todo o tempo passado na fila, viu a entrada ser-lhe negada por causa da camisola de alças da senhora. Ficaram completamente desanimados e já se iam embora, mas como eu tinha uma camisa por baixo que me tapava os braços, retirei o meu casaco e emprestei-lho para poderem entrar. E assim conseguiram visitar.
O gótico cria uma ligação de verticalidade, com as suas paredes muito altas, para transmitir a ligação entre a terra e o céu.

O interior da catedral é, totalmente, dominado pelo cinzento da pedra, o que dá a sensação de alguma frieza, pois tal como acontece com outras igrejas góticas não existem murais.




É portanto muito escura no interior. Existindo alguma luz proveniente das inúmeras velas.





A única fonte de cor é mesmo a dos numerosos vitrais e das suas três famosas rosáceas.



Estas, são verdadeiros livros, coloridos, com vários tipos de motivos, como, por exemplo, os associados às cenas do quotidiano.
A pintura e a escultura estão bem presentes no interior da catedral.
Existem 37 representações, por exemplo, da Virgem Maria.
