Há uns dias, disseram-me que adoravam ler-me quando escrevo com o coração e que, quando tal acontecia, esses eram os meus posts mais bonitos.
Pois bem, esclareço que tento sempre escrever um pouco com o coração pois só escrevo sobre os lugares/locais que eu gosto de visitar ou conhecer. Mas também é verdade que não se gosta, da mesma forma e com a mesma intensidade, dos vários lugares/locais.
Alguns ficam cá dentro, outros nunca entrarão.
O café Ancora d’Ouro no Porto, mais conhecido por “Piolho” é um desses locais. Está e estará cá dentro.

Não se sabe, muito bem, a razão desta alcunha, pois existem várias versões/opiniões sobre esse assunto, o que já tem originado acessas discussões.
Este foi, sempre, conhecido como o café dos estudantes, onde estes costumavam, e ainda costumam, estudar.
Estudei na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que fica mesmo ao lado, na Praça dos Leões, daí ter assumido, desde muito cedo, que o Piolho seria a minha segunda casa. E foi.



A brincar, até costumo dizer, que passei mais tempo sentada no Piolho do que na Faculdade.

Parte destas passagens pela vida académica pode ser revivida através da leitura das inúmeras placas, oferecidas pelos estudantes em jeito de homenagem e agradecimento ao local que tão gentilmente os acolheu durante os estudos, que embelezam as paredes do café.

Aberto desde 1909, tem muito para contar, é que para além de ser um café académico também foi um café político, muito conhecido por acolher os opositores ao regime durante o Estado Novo.


Ainda hoje é um local escolhido para a realização de várias manifestações e campanhas políticas.
Também foi, sempre, o local de eleição de vários artistas/escritores, tais como o escritor portuense Manuel António Pina, que aí encontrava alguma da sua inspiração.
Verdade que tem um ambiente inspirador, pela simplicidade de todos os seus pormenores.


Foi o primeiro café a ter luz elétrica e televisão na cidade e onde terá nascido o termo cimbalino, nome dado a um café no Porto, depois de ser o primeiro espaço a ter uma máquina de café expresso italiana, da marca “La Cimbali”.
