Uma das tradições mais genuína de Barroso, à semelhança do que acontece um pouco por toda a região transmontana, é a confecção dos folares na altura da Páscoa.
Após um prolongado período de jejum, correspondente à época da Quaresma, a fartura volta, assim, às mesas transmontanas, com folares confeccionados com as melhores carnes.

É, portanto, um sinal de abundância após todos estes dias de restrições.
E abundância em todos os sentidos, pois o que eu mais gosto é de ver a grande quantidade de folares que geralmente é feita, pois é hábito estes serem oferecidos a vizinhos e amigos.

Embora já muita gente recorra aos fornos normais, por Barroso o forno de lenha continua a ser o mais usado, pois mesmo que não se tenha em casa, existe, sempre, a possibilidade de recorrer ao de um vizinho, ao forno do povo…

Existe todo um ritual, para a confecção dos folares, passado de geração em geração.
Passam os anos, mas esta tradição mantém-se.

O forno de lenha é aceso, com alguma antecedência e com lenha mais miúda, para ir aquecendo, o que torna o local agradável para se estar, devido à temperatura simpática aí criada.


O que custa mais é amassar os folares, pois requer força e alguma resistência, principalmente se forem muitos quilos de farinha.
A massa tem de levedar bastante, para tal, é, portanto, toda coberta com panos, para a manter mais quente o que ajuda neste processo.
Até há quem faça uma pequena reza para ajudar a que isso aconteça.
Depois de ter, bem, aumentado de volume, a massa é cortada e são formadas umas bolas.
Cada uma corresponde a um folar.


Estes são recheados com as melhores carnes de presunto, entremeada fumada, salpicão, linguiça…e deixados a levedar mais um pouco.
Sobre um papel, são colocados no forno a lenha.


Começam logo a crescer e a dourar lentamente.

É um prazer, quando, já no final, são colocados lado a lado, para arrefecer.


A distribuição pelas casas pode, então, começar, ou, como em minha casa é costume fazer, a família já se pode reunir, no final, para a prova dos folares.