Durante uma caminhada pelos passadiços da zona Sul do concelho de Vila do Conde, fiquei seduzida por toda a área conhecida por São Paio, onde a combinação da sua geomorfologia, arqueologia e paisagem transmite a este lugar história e muita beleza.



Para além dos passadiços, das lindas praias onde sabe bem estar, ainda se pode apreciar um castro, da idade do ferro, que, à sua volta, apresenta vários vestígios paleolíticos.


Comecei, portanto, a caminhada a partir de Labruge e ao longe nota-se, logo, um afloramento rochoso, granítico, que se destaca sobre o mar e onde se pode ver um marco geodésico, um importante vértice de localização empoleirado sobre as pedras.


Ao chegar a estas, as vistas, principalmente da imensidão do mar, são maravilhosas. É uma tranquilidade.




Fiquei ali durante um bom momento, só a apreciar a linguagem silenciosa do oceano.

Uma pequena capela destaca-se, lá bem no alto, numa postura de aparente desafio à dureza que por vezes nos impinge o mar.



Gostaria de poder ter visto o seu altar, uma pedra do mar que terá sido trazida para este ponto tão alto por uma junta de bois, mas a capela geralmente está fechada.
Ao descer, uma pequena praia, protegida do vento pelas rochas, é mais um motivo de encanto. É a praia do Castro de São Paio.



O Castro de São Paio é o único castro marítimo português do Noroeste Peninsular. Um projeto de valorização relativamente recente permitiu “salvar” este da destruição.

Acredita-se que remonta ao tempo dos chamados “Calaicos” que aí se teriam fixado para desenvolver a atividade da pesca e possivelmente a de produção de sal e que o teriam abandonado com a chegada dos romanos.
Ao passar junto da esplanada do restaurante Castro de São Paio apeteceu-me sentar-me naquele espaço, tão agradável virado para o mar, mas o dia era para caminhar e, por isso, para provar os deliciosos pratos, nomeadamente de peixe, que este estabelecimento oferece, teria de ser num outro dia.



E a caminhada continuou…