Saudade é uma palavra bem portuguesa, carregada de intensidade e sentimento(s).
Este local, o “Penedo da Saudade”, localizado em São Pedro de Moel, guarda a memória duma história de amor, onde são bem evidentes, quer a intensidade, quer os sentimentos.

Tudo remonta à época em que D. Miguel, Duque de Caminha e filho dos Marqueses de Vila Real, vivia muito feliz em Moher, hoje chamado de São Pedro de Moel, com a sua jovem esposa D. Juliana, filha dos Condes de Faro.
Muito apaixonados, costumavam passear a cavalo nas arribas junto ao mar e parar neste rochedo, onde aí se entregavam ao amor que os unia em comunhão com a bela natureza e água que rodeiam o penedo.


D. Miguel gostava de aí apanhar umas pequenas flores cor de rosa, raras pois só se conseguiam encontrar nesse sitio, que oferecia à sua jovem esposa.
Viviam, calmamente e com toda esta paixão em São Pedro de Moel, longe de toda a confusão associada à Restauração de Portugal e coroação de D, João IV, rei que não reunia o apoio de todos e, por isso, cedo começou a ser vítima de conspiração.
O pai de D. Miguel exigiu ao filho que estivesse presente numa dessas reuniões de conspiração, muito contra a sua vontade.
Acabou por respeitar as ordens do pai mas os participantes foram denunciados e todos presos.
Foram condenados à morte por traição ao rei e decapitados.
A jovem viúva refugia-se, então, na casa de São Pedro de Moel e, sempre que o tempo o permitia, deslocava-se ao rochedo, rodeada pelas pequenas flores rosas que o seu marido lhe oferecia, para aí recordar os momentos mais belos da sua vida.
A grandeza da sua dor neste local, onde chorava a morte do seu amado, acabou por dar o nome a este rochedo, “Penedo da Saudade”.

Dizem que, ainda hoje, ao escutar os murmúrios do mar neste rochedo é possível distinguir, como em eco, as lamentações da duquesa.
Ao estacionar o carro, mesmo em frente à praia, percebi o motivo dos duques tanto gostarem de partilharem os seus momentos neste penedo.


Estava um dia nublado e ventoso, o que tornou ainda mais poético este lugar.


Um farol, com o mesmo nome, foi, mais tarde, construído junto ao rochedo e dá como que as boas-vindas aos visitantes.


As rochas têm uma inclinação acentuada e apresentam uma cor mais escura do que é habitual ver-se.

O mar estava bastante agitado, parecia que queria contar, de forma enfurecida, a história tão trágica ligada a este penedo.



Um pescador pescava, sozinho, sobre o rochedo. Dei comigo a imaginar a duquesa sentada da mesma forma a lamentar a perda do seu amado.

Ao lado do pescador, já sobre o penedo da saudade, entreguei-me, apesar do frio que se fazia sentir, à beleza e intensidade do lugar. Fiquei, assim, longos minutos…
Recordei D. Juliana…

