Acho que já tínhamos, todos, saudades de sentir o espírito dos Santos de Chaves, depois desta pandemia ter impedido a sua realização no ano passado.
Realizada anualmente e desde sempre, esta feira, carinhosamente chamada de “Os Santos”, faz parte da memória das gentes da região, pois desconfio que todos devem ter histórias para contar ligadas a este evento.
Eu, por exemplo, recordo, com saudade, os os tempos em que estudava em Chaves, durante o ensino secundário e, nessa altura, aproveitavamos, juntamente com os meus colegas, todo e qualquer intervalo para ir aos Santos, geralmente para jogar matraquilhos.
Na altura, era, para nós estudantes, o grande acontecimento da cidade durante o ano.
E as coisas pouco mudaram nesse aspecto, pois, continua a ser o ex-libris de Chaves, juntando milhares de pessoas nas suas ruas, vindas um pouco de toda a parte do país e não só.
Assim, nos últimos dias de outubro e primeiro de novembro, a cidade de Chaves muda por completo.
Transforma-se num enorme mercado ao ar livre, com a participação do comércio local, onde todos saem à rua, para mostrar e vender o que de melhor têm, enchendo as ruas de animação, repletas de sons, cores e cheiros.
A Feira do Gado é muito importante, pois reúne, também, muita gente, que aí pretende comprar, vender ou ainda participar nos diversos concursos com os seus animais.
Paralelamente a esta ocorre aquela que é uma das atividades mais participada, o festival gastronómico do polvo, onde é servido às pessoas à moda galega. Uma delícia, que não sei se por ser servido na feira parece ainda saber melhor.
Os carrosséis são a grande tentação dos mais jovens.
Para mim, tentação são, também, as deliciosas farturas, que se encontram a vender um pouco por toda a cidade.
Santos sem pelo menos uma fartura parece que nem são Santos.
O convívio, a alegria sentida nas ruas, os sons, os cheiros, entre muitos outros aspetos, tornam esta uma das melhores festas de rua do país.
Este ano nem a chuva conseguiu segurar as pessoas em casa, pois a saudade era muita.









