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La Samaritaine, caso para dizer “Oh la la”.

“Oh la la” foi a expressão usada pelo atual Presidente da República de França, que ao entrar no espaço, totalmente, renovado de “La Samaritaine”, não conseguiu conter o seu espanto perante a beleza do armazém, que, a par com as Galerias Lafayette e Printemps, acolhe um dos chamados “grands magasins” parisiense.

A reabertura do espaço era um regresso, há muito esperado para os parisienses, pois esteve encerrado ao público, por razões de segurança, durante dezasseis anos, período, durante o qual foi alvo de vários trabalhos para recuperar do estado degradado em que se encontrava.

Inicialmente esta reabertura estava prevista acontecer em 2020, mas a pandemia levou a que tal só acontecesse um ano depois, mais precisamente a 23 de junho.

ALGUMA HISTÓRIA…

Tudo se inicia em 1870, um vendedor, Ernest Cognacq, instala um pequeno comércio num espaço perto de um café. O sucesso é tal que em 1900, a loja já se expandiu de tal forma que ocupa uma vasta área na zona. 1960, marca o seu melhor momento, mas somente 10 anos depois, este espaço comercial que era conhecido por nele tudo se conseguir encontrar, começa o seu declínio. As lojas começam a ser vendidas e transformadas em escritórios. Em 2001 é comprado pela gigante de marcas de luxo francesa LVMH, que entre outros comercializa a Louis Vuitton, mas em 2005 acaba mesmo por fechar, após 150 anos a ser conhecido como um grande armazém de venda ao público. Necessita de obras para respeitar as condições de segurança entretanto em vigor e o que se prevê ser uma situação temporária, para regularizar a situação, acaba por ser um encerramento ao público de 16 anos.

O AGORA…

Decorridos esses anos e com um investimento de 750 milhões de euros na sua transformação, a surpresa do atual Presidente francês transmite, mesmo, a sensação que, acho, todos temos ao visitar este espaço.

E eu até me considero uma tremenda sortuda, pois tive a sorte de o visitar com as decorações de natal.

Tem uma localização excecional, nas margens do rio Sena, perto de alguns dos monumentos mais conhecidos da capital francesa, tal como, o Museu do Louvre ou a Catedral de Notre-Dame.

A arquitetura deste espaço, a já conhecida estrutura em ferro dourada e fachada envidraçada de Arte Nova, à qual a dupla de arquitetos, Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, do estúdio de arquitetura japonês Sanaa, vencedor de vários prémios, deu um toque mais contemporâneo, como, por exemplo, um exterior em vidro ondulado que não deixa ninguém indiferente.

Para fazer frente à brutal concorrência do comércio online e de outros estabelecimentos comerciais parisienses do mesmo tipo, e com a clara intenção de reforçar a venda das marcas de luxo francesas, pois são esperados cerca de 5 milhões de visitantes por ano, o conceito diferenciador deste espaço assenta na filosofia de vida e charme parisiense: moda, gastronomia e arte de viver.

Em relação à moda, acolhe mais de 600 marcas, distribuídas pelos vários pisos por 20 000 metros quadrados, das quais 50 são exclusivas dando também, palco a jovens criadores, que irão, provavelmente, ditar a moda de amanhã, e oferecendo, desta forma ao público, um grande leque de preços.

A gastronomia também está muito presente em todo este espaço, com 12 restaurantes e conceituados nomes da culinária convidados, para aí dar o conhecer o que de melhor sabem fazer.

Relativamente à arte de viver, destaca-se por um hotel de luxo “le Cheval Blanc”, com 26 quartos e 46 suites com vistas sobre os cais do Sena e a Catedral, e, onde se localiza, a maior piscina de Paris.

Não esquece o lado mais social, para além dos milhares de empregos oferecidos, quer aos antigos funcionários quer a novos, proporciona, também, uma creche com 80 vagas e 96 apartamentos sociais.

Por um lado seduz os parisienses, cuja ligação a este espaço, tão especial para eles, é muito forte e que estavam ansiosos pela sua reabertura, por outro seduz os turistas que são atraídos por tudo o anteriormente descrito, numa escolha em que os gostos, dos habitantes e visitantes, se complementam em vez de se oporem.

Para mim, a Samaritaine foi, é e continuará a ser um ícone parisiense, caso para dizer “Oh la la!”.

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