Como passou a zona mais miserável de Montmartre para o bairro cujo preço por metro quadrado rivaliza com os mais caros da capital parisiense?
É a história da “Villa Léandre”, que antes de o ser, foi o terrível “Maquis de Montmartre“, um bairro de latas onde residia a população mais pobre de Paris.

UM POUCO DE HISTÓRIA…
Em 1860, a localidade de Montmartre é anexada a Paris, mas tal pouco altera a realidade da zona, que continua mergulhada num ambiente de grande miséria, nomeadamente no chamado “Maquis de Montmartre“.
O espaço onde outrora se localizavam vários moinhos, dava lugar a um enorme descampado entre as ruas Caulaincourt, Lepic e Girardon, onde com o tempo, foram crescendo todo o tipo de habitações, sem quaisquer condições, onde moravam pessoas mais vulneráveis.
Em 1909, a Rua, mais tarde Avenida, Junot começa a ser aberta e as cabanas do Maquis a serem lentamente demolidas. Um incêndio, de origem suspeita, uns anos mais tarde, destrói as restantes e começa, então, o processo de urbanização deste bairro.
Numa perpendicular à Avenida Junot, surge, então, em 1926, a Villa Junot, onde são construídas pequenas casas já em tijolo, muitas delas com traços do estilo normando das “villas” do início do século.
Pequenos jardins, com árvores e flores, nas entradas complementam as casas e dão a este bairro um ar campestre.

Em 1936, é rebatizada “Villa Léandre”, em homenagem a Charles Léandre, um humorista, caricaturista e ilustrador famoso.

VILLA LÉANDRE…
Num beco sem saída, perpendicular à Avenida Junot, bem no coração do bairro de Montmartre, localiza-se uma das ruas mais bonita de Paris, a chamada “Villa Léandre”.

Não é só linda, mas sim, também muito calma, pouco conhecida, aqui o tempo parece ter parado. Nem parece que estamos na movimentada capital francesa.

Entrar nesta rua é como viajar, por instantes, pelas ruas da capital britânica, pois as casas aí construídas seguem o estilo anglo-normando.


Não é grande pois tem um comprimento de aproximadamente 69 metros e apenas 7 metros de largura.

Contrariamente à Avenida Junot, que apresenta uma certa homogeneidade em termos arquitetónicos, na Villa Léandre, as construções recorrem a vários materiais e estilos.
Assim, dos tijolos vermelhos à ardósia, ou da cerâmica à madeira, tudo se pode apreciar nas pequenas habitações.
Todas estas construções são da autoria de Louis Vuldy, célebre arquiteto.



Achei piada pois, em pleno Paris, os moradores de Villa Léandre guardam a lenha para aquecimento em frente às casas.
Um lugar encantador, onde vivem famílias que vão passando de geração em geração estas adoráveis casas.

Recomendo…
