É uma ilha, em pleno coração de Paris.
Já foi chamada de “Ilha das vacas”, pois nela só existiam pastos e gado, mais tarde, com o início da urbanização, ficou conhecida como “ilha dos palácios”, devido ao elevado número de mansões ali existentes, hoje é simplesmente a “ilha de São Luís”, onde sabe bem passear e apreciar Paris de forma calma.

É uma das duas ilhas da capital francesa, a mais pequena.
Muito acolhedora, atraiu os cidadãos mais ricos da cidade, que aproveitando uma tranquilidade, pouco usual no centro de Paris, aí construíram suntuosas residências e belos palacetes.
Para além de alguns restaurantes, não existem grandes comércios, sendo uma zona, essencialmente, residencial e, por isso, pouco turística, o que para alguns pode ser uma vantagem.
Digamos que é a ilha dos que, tal como eu, gostam de uns bons passeios com belas vistas para fotografar, de história arquitetura e de arte, ou seja de prazeres simples.



Vou tentar deixar aqui um pouco das minhas preferências na ilha.
Caminhar pela Ilha…
Composta, apenas por poucas ruas perpendiculares, é fácil dar a volta à ilha, caminhando pelas suas ruas estreitas e apreciando os belos edifícios, dos quais, a maioria conserva a sua arquitetura original.

É composta por 4 cais, que permitem vistas deslumbrantes, do lado direito, o “Quai d’Anjou” e o “Quai de Bourbon“, do lado esquerdo, o “Quai d’Orléans” e o “Quai de Béthune” .



Passear junto ao Sena…
Também existe a possibilidade de se dar quase a volta completa à ilha, junto ao rio Sena.

Este passeio permite aceder a vistas deslumbrantes sobre o rio e a cidade que são pura poesia.

Roteiro dos artistas, dos políticos, dos cientistas…
Desde muito cedo, a ilha foi opção para, um sem número de conhecidos das mais diversas áreas, fixar aí a sua residência.
De acordo com as preferências de cada um é possível, por isso, ir ao encontro dos lugares, sítios e edifícios de artistas, políticos, cientistas, entre outros.
Pelas ruas existem, portanto, placas a relembrarem pessoas mais conhecidas que escolheram esta ilha para viver.


Mais ligada à Arte, gostei, particularmente de descobrir parte das realidades de 2 artistas que me dizem muito, a escultora Camille Claudel, que escolheu o número 19 do quai de Bourbon para aí instalar o seu atelier e o poeta, pelo qual me apaixonei, muito cedo, pelas suas palavras, Charles Baudelaire.
Até ser internada, Camille Claudel viveu e trabalhou, na ilha de Saint-Louis.
Hoje, uma placa evocativa marca o edifício onde tal aconteceu, acompanhada de uma frase muito intensa, que demonstra bem a forma como a artista vivia perturbada.
“Il y a toujours quelque chose d’absent qui me tourmente”.

Perturbada também foi a vida de Baudelaire, que teve sempre uma preferência por esta ilha, tendo vivido e trabalhado em vários edifícios, mas o mais marcante é no 17 do quai d’Anjou, o “hôtel de Lauzun“.



No número 15, no mesmo cais, viveu o pintor Cézanne.
Pompidou, Marie Curie, Léon Blum, entre muitos outros, são nomes de pessoas que também escolheram a tranquilidade de Saint-Louis para viver.
Square Barye
Embora a ilha seja essencialmente uma zona residencial, a sua ponta, é uma praça muito bonita, chamada de “Square Barye”.
Situado entre o “Pont de Sully” e o “Boulevard Henry IV”, na ponta sudeste da ilha, acolhe um pequeno jardim triangular, muito simpático, com vistas sobre o Sena, onde é possível apreciar um belo monumento, dedicado ao escultor Antoine Louis Barye, o artista que deu o nome ao lugar.

Pont Louis Philippe
Projetada pelos engenheiros Edmond-Jules Féline-Romany e Jules Savarin, esta ponte liga a margem direita, onde se localiza o bairro do Marais à ilha.

Pont Marie
Chamada desta forma pelo facto de ter sido construída pelo engenheiro Christophe Marie, é a seguir ao Pont Neuf, a ponte mais antiga de Paris.
Liga a margem direita ao cais de Bourbon e d’Anjou.


Pont de Sully
Localizada no final da parte leste da ilha, esta ponte construída pelos engenheiros Paul Émile Vaudrey e Gustave Pierre Brosselin, é composta por duas partes que acabam por ligar a chamada margem direita à margem esquerda de Paris.

Pont de la Tournelle
Várias pontes construídas no mesmo lugar, não resistiram às cheias do Sena.
Só esta obra, reconstruída pelos arquitetos Pierre e Louis Deval é que conseguiu aguentar.
Liga o cais de Béthune à margem esquerda de Paris, onde acolhe a estátua de Santa Genoveva, padroeira da cidade.



Pont Saint-Louis
Liga as duas ilhas, permitindo aceder às traseiras da Catedral de Notre-Dame.
Também, neste local foram construídas várias pontes que não aguentaram às cheias do Sena e acidentes.
É uma ponte que só se pode atravessar a pé ou de bicicleta, da qual consegui belos ângulos fotográficos.





Adoro… É uma das minhas grandes opções na capital francesa. Recomendo…
Uma opinião sobre “Pela Ilha de Saint-Louis…”