Île de France, Cultura, Europa, França, Ile de Saint-Louis, Paris

Pela Ilha de Saint-Louis, nos passos de Baudelaire…

Acho que me apaixonei pelas palavras de Baudelaire desde os meus tempos de estudante em França.

O seu livro “As flores do mal” tornou-se, a partir dessa altura e até hoje, uma das minhas obras preferidas.

Nasceu e morreu em Paris, onde está sepultado no cemitério de Montparnasse.

E foi, também, na capital francesa que ele viveu a maior parte da sua curta e polémica vida, marcada por muitos excessos.

Foi sempre um desejo para mim descobrir um pouco mais sobre a sua inspiração. Os lugares que ele escolhera para viver, o que o motivava, aquilo que o rodeava…pois isso diz-nos muito sobre os artistas.

Para tal, criei uma pequena rota para o poder descobrir, que eu percorri durante uma das minhas estadias por Paris.

Nasceu (dia 9 de Abril, eu nasci dia 10) no bairro latino, mas rapidamente se tornou uma das figuras da ilha de Saint-Louis, por esta ter sido a sua escolha para viver.

Foi portanto na ilha que eu concentrei esta minha descoberta.

Esta ilha, devido à sua beleza e simplicidade, atraiu, desde muito cedo, os artistas.

Inicialmente viveu no número 10 do “quai de Béthune“, atualmente o número 22.

E é, portanto, nesta rua tão calma que ele começa a exercer toda a sua imensa excentricidade e a gastar de forma descontrolada a herança do seu pai.

Com gostos caros e comprando, de forma desenfreada, móveis e decoração, rapidamente tem de sair deste espaço para fugir aos credores.

É quando se muda para o “quai d’Anjou“, o cais que fica do outro lado da ilha.

Vai viver para um hotel, no número 17, o “hôtel Pimodan”, mais tarde chamado “hôtel de Lauzun“.

É neste espaço onde começam as reuniões do chamado “club des Hachichins“, um encontro de artistas, de homens das letras e das ciências, que se dedicavam a estudos e a experiências com drogas.

Mas Baudelaire tinha outro, bom, motivo para gostar desta ilha, o número 6 da “rue Le Regrattier“, onde vivia a sua musa inspiradora e amante de toda à vida, Jeanne Duval.

Conhecida por “Vénus negra” e odiada pela mãe do escritor, viveu com o artista uma relação marcada por ruturas e reconciliações.

As horas que eu passei pelas ruas da ilha permitiram ler, ainda mais, Baudelaire…

Deixe um comentário