Île de France, França, Paris, Património Cultural Material

Por Père-Lachaise…

Depois da Torre Eiffel, do Museu do Louvre e da Catedral de Notre-Dame, o cemitério do Père-Lachaise é um dos lugares mais visitados de Paris.

Nele, encontram-se sepultadas várias personalidades, francesas e do mundo inteiro, tais como Édith Piaf, Chopin, Jim Morrison, entre muitas outras.

Um pouco de história…

Foi construído, em 1804, quando o terreno deixa de ser privado e passa a ser da cidade graças a Napoleão Bonaparte.

Longe do centro da cidade e numa zona muito pobre, os parisienses não gostaram nada da ideia, pois não queriam aí ser enterrados.

Só após começar a receber os restos mortais de pessoas famosas, tais como Molière ou La Fontaine, é que essa opinião começou a mudar.

Inspirado no estilo dos jardins ingleses, hoje é o maior cemitério da capital francesa e um dos mais famosos do mundo.

A minha visita…

Para além de conhecer este lugar, também desejava, há muito, ir ao encontro da memória de um dos artistas que eu mais aprecio, Modigliani.

Localizado na “Rue du Repos“,  desloquei-me de metro e saí na estação que se chama, mesmo, Père-Lachaise.

Optei por entrar na entrada lateral, que se encontra mesmo do outro lado da estrada da saída do metro.

O cemitério é muito grande, por isso, se a visita se realizar, tal como eu pretendia, com o intuito de ver uma sepultura em particular é necessário usar GPS ou recorrer a um mapa.

Está dividido em vários sectores.

A caminho da sepultura de Modigliani, aproveitei para visitar uma das campas mais visitada de todo o cemitério, a do cantor Jim Morrison.

Mais pequena e meia escondida no meio das outras sepulturas, é, no entanto, muito conhecida e visitada.

Jim tinha feito anos dias antes e as lembranças dos inúmeros fãs, ainda, eram bem visíveis.

Descobrir a sepultura de Modigliani foi bem mais difícil.

Não é conhecida como a do cantor e mesmo com a indicação do GPS, ainda, estive uns bons minutos a tentar descobri-la.

Quando já estava quase a desistir, ali mesmo, junto a mim, vi uma campa repleta de objetos e pequenas lembranças, nomeadamente um pincel, era a que eu tanto procurava.

Escusado será dizer que foi um momento de grande emoção, por, de alguma forma, estar “ligada” aquele que é, para mim, uma das minhas grandes referência artística.

Jeanne já repousa com ele na mesma campa, após ter estado sepultada, por opção dos pais dela, noutro cemitério.

A data de falecimento de ambos mostra bem a tragédia que está associada à morte de Modigliani, quando Jeanne não aguentando o desgosto da perda do seu amado, decide, também, passadas umas horas, terminar a sua vida, atirando-se, grávida de nove meses do segundo filho de ambos, de uma janela.

Estive, desta forma, uns longos minutos junto à campa, a relembrar, em silêncio, todos estes pormenores, por vezes tão tristes, da vida do artista.

No “carré juif” é, possível descobrir uma linda homenagem a Judeus mortos aquando do holocausto.

Também coloquei uma pequena pedra, tal como é comum na tradição judia, neste memorial em homenagem aos mortos.

Os espanhóis, mortos na guerra também são são esquecidos.

E o cemitério do loPère-Lachaise é assim mesmo, uma extensa área, repleta de pormenores, muitas vezes mais parecida com um jardim do que propriamente um cemitério, que é possível percorrer e onde repousam famosos e desconhecidos, combatentes e vítimas das guerras, artistas de todas as áreas, políticos…

Sem dúvida um lugar a visitar.

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