Sempre gostei de tudo o que liga as viagens ao património cultural imaterial, principalmente as lendas.
Por isso, visitar Barcelos, quando percorri a EN 103, foi uma experiência fantástica, uma descoberta envolvida em muita oralidade e memória(s).
Das várias lendas que eu conheci nesse dia, a do “milagre das cruzes” foi uma das que eu mais gostei e onde assenta a razão da construção do maravilhoso templo religioso, que se localiza no largo da Porta Nova, a Igreja de Bom Jesus da Cruz.



Para se perceber as coisas e conhecer os lugares, as lendas têm que ser contadas…
Por isso aqui vai…
“Em 1500, viviam na cidade um sapateiro, João Pires, que tinha uma filha, chamada Luisinha e um fidalgo, D. Pedro Martins.
Este último tinha fama de mulherengo e perseguia constantemente a filha de João Pires, que não reagia bem ao assédio que ele lhe fazia.
Um dia, em defesa da filha, o sapateiro marcou a cara do fidalgo o que lhe valeu a chacota das pessoas e uma raiva muito grande pelo sapateiro e por Luisinha.
Após uma tempestade, um barco naufragou na costa de Esposende.
As mulheres foram à praia para recolher os destroços.
Luisinha encontrou um pedaço de madeira algo estranho que levou para casa.
Ao lançar este para a lareira, toda a casa se iluminou e apareceu uma cruz desenhada no solo que, por muito que escavassem, não desaparecia.
O acontecimento ficou conhecido e as pessoas começaram a acorrer ao local para verem o milagre.
D. Pedro Martins aproveitou, logo, esta situação para acusar os dois de bruxaria.
Mas no momento em que se preparava para o fazer, a cruz voltou a aparecer.
Rendido ao milagre, o fidalgo acaba por pedir perdão a Deus de joelhos.
A partir desse momento, as marcas desapareceram da sua cara.”
O milagre dá origem à construção de uma ermida no lugar onde aparecia a cruz, no local onde mais tarde é construída a igreja, mas, também, à realização da famosa romaria da Feira das Cruzes de Barcelos.
