Quase ninguém se apercebe de uma pequena escultura, virada para o rio Tejo, numa esquina da Torre de Belém, que representa um rinoceronte, mas, também, pouca gente estaria à espera de ver a figura deste animal a ornamentar um monumento português com tantos anos.


Na verdade, a escultura relembra a história, bem real, de um rinoceronte trazido para a Europa, para ser oferecido como presente ao rei D. Manuel I.
Desembarcou perto do monumento, numa altura em que este, ainda, estava a ser construído, e causou logo tanto espanto e curiosidade, devido ao seu grande porte e aspeto tão estranho, que se lembraram de colocar o animal como elemento decorativo da torre.


Também é verdade que, desde o tempo dos romanos, não se via no continente um animal assim, com várias toneladas.
Tudo começa quando o rei Modofar, não concorda com a construção de uma fortaleza na cidade de Diu, mas para agradar oferece este animal a Afonso de Albuquerque. Dado que o governante não tinha condições de o manter em Goa, acaba por enviar o rinoceronte para Portugal, como presente ao rei. É instalado no parque do Palácio da Ribeira e acaba por ser uma das suas principais recreações de D. Manuel I.
É conhecida, por exemplo, a história da luta entre este e um elefante que o rei providenciou.
Interessado no apoio do Papa Leão X, para o sucesso das suas campanhas além-mar, acaba por lhe enviar o animal, como presente, adornado com uma coleira em veludo verde com rosas e cravos dourados.
Infelizmente, uma tempestade afundou o navio, perto de Génova, que o transportava e este acaba por morrer afogado.
Foi, no entanto, possível recuperar o animal e após ter sido empalhado acabou por ser oferecido ao Papa.
Embora o seu fim tenha sido trágico, esta figura acabou por ser imortalizada em vários edifícios/monumentos nacionais e internacionais.

O rinoceronte de Lisboa é, portanto, uma das histórias, bem guardada, da capital portuguesa.