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Mdina, a cidade silenciosa…

Como fã de  Game of Thrones, há muito que eu queria visitar, aquela que é conhecida como a “Cidade do Silêncio” e que foi cenário para muitas das filmagens da série, Mdina.

Localizada no cimo de uma colina e no centro da belíssima ilha de Malta, Mdina é uma das cidades amuralhadas mais bem preservada da Europa.

Caracterizada pelos seus edifícios de pedra calcária e, pelo facto, de não ter carros, a serenidade sentida nas suas ruas estreitas é sem fim e, por isso, indescritível, dando a sensação que durante toda a vida não se pertenceu a outro lugar.

Um pouco de história…

A cidade de Mdina foi fundada pelos fenícios que povoaram Malta em 700 a.C.

Mais tarde, os romanos rebatizaram-na “Citta Vecchia”.

Foi ocupada pelos árabes, durante vários séculos, acontecimento que acabou por influenciar o nome da cidade e, mesmo, após a expulsão desse povo do território, continuou a ser conhecida por Mdina, nome derivado da palavra “medina”.

Mas os árabes não influenciaram só o nome da localidade, pois esta, apesar de ao longo dos tempos ter sido habitada por vários povos, tem, claramente, o traçado típico das cidades árabes, com as suas longas ruas estreitas, quase labirínticas. 

Após 870, é construída, pelos árabes, a muralha à volta de toda a cidade, que acaba por separar  esta de Rabat e do resto do mundo.

Em 1250 os árabes são expulsos de Mdina.

A sua localização estratégica, num ponto alto e longe do mar, faz com que esta cidade se torne a capital de Malta até 1530.

No século XVII, um forte terramoto destruiu  parte da cidade, tendo sido, mais tarde, reconstruída pelos Cavaleiros de São João, o que acabou por acrescentar o estilo barroco a uma cidade onde já existiam uma grande variedade de estilos.

Mdina…

Tal como já referi, em Mdina não há grandes carros, pois a entrada destes só é permitida aos habitantes da cidade, que, também, não são muitos. Os automóveis ficam, portanto, do lado de fora.

A chegada a Mdina foi, para mim, emocionante pois de repente e, perante, o portão da cidade, imaginei-me a entrar em “King’s Landing”, revivendo um acontecimento da primeira temporada da série “Game of Thrones”.

Mas não foi a única vez em que tal aconteceu, cada passo dado é um passo pela série e torna fácil perceber o motivo pelo qual  Mdina foi escolhida para gravar a série.

A cidade parece sair de um livro ou de um filme, pois não parece real, é algo quase que indescritível.

As ruas são estreitas e silenciosas e mesmo em dias com muitos turistas, reina a calma e ausência de barulho.

Cada passo é uma descoberta pela história da cidade, que conheceu tantas realidades, pela sua arquitetura que se apresenta com uma multiplicidade de estilos.

Daí ser difícil fazer uma lista de monumentos ou locais a visitar, pois toda a cidade é que merece a nossa atenção.

A nossa atenção quando caminhámos pelas suas ruas labirínticas, quando respeitamos o seu silêncio ou, ainda, quando apreciamos os belos pormenores de uma cidade, que não deve ser visitada mas sim sentida.

Subir às suas muralhas e apreciar toda a região envolvente é algo indescritível.

Escusado será dizer que parece que tudo pára ao entrar na cidade, como que transportados, pelo tempo, para outras realidades históricas.

Nessa descoberta, muito nossa, de toda a cidade recomendo, no entanto, uma visita aos seguintes pontos.

O Palácio Vilhena é o primeiro edifício que se pode observar ao entrar na cidade pela sua porta.

O Palácio é lindo e acolhe o Museu Natural de Malta.

Existem mais palácios pela cidade.

O que mais me fascinou foi o Palácio Falson.

É, talvez, o edifício medieval mais bem conservado de Malta e acolhe uma biblioteca com obras históricas.

É, igualmente, muito lindo e merece um olhar mais atento.

A Catedral de São Paulo, localizada no centro da cidade, reconstruída pelos Cavaleiros da Ordem após a sua destruição aquando de um terramoto, é o monumento mais emblemático de Mdina.

Fui, novamente, transportada para os cenários de Game of Thrones, ao chegar à Praça Mesquita, onde relembrei os vários acontecimentos da série que aconteceram nesse local, tão simpático.

Adorei Mdina, adorei perder-me nas suas ruas e no seu silêncio, adorei sentir que, de alguma forma, já lá tinha estado e voltaria lá já amanhã se pudesse.

Foi a cidade que eu mais gostei na ilha de Malta…

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