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Mont Saint-Michel, um sonho de criança…

Nasci e vivi em França durante os primeiros 16 anos da minha vida. Na escola eram muitas as vezes em que se falava do “Mont Saint-Michel” e de história para história, cada vez aumentou mais em mim o desejo de o conhecer.

Este ano, finalmente, concretizei esse meu desejo, aquando de uma visita à Normandia.

Um pouco de história…

Foi em 708, que o bispo de Avranches mandou construir, numa ilha rochosa do Rio Couesnon, um santuário em homenagem a São Miguel Arcanjo.

No século X, os monges beneditinos instalaram-se na abadia e uma pequena vila começou a formar-se aos seus pés.

Na Guerra dos Cem Anos, entre a França e a Inglaterra, resistiu a todas as tentativas de os ingleses o invadir, o que o tornou um símbolo da identidade nacional francesa.

A Revolução Francesa dissolveu todas as ordens religiosas e este torna-se numa prisão.

Em 1979 é declarado Património da Humanidade pela UNESCO.

O fenômeno das marés…

Ao longo dos séculos, o problema do Mont foram sempre as marés.

Por isso os terrenos à volta foram drenados para criação de pastagens, o que acabou por diminuir a distância da ilha à terra.

Existiram várias tentativas para tornar a zona seca, até o rio Couesnon foi canalizado, mas em 2006, o governo francês decide voltar a fazer do Mont Saint-Michel aquilo que ele sempre foi, uma ilha.

A maré atinge 500 km² da baía à volta do Monte Saint-Michel, com uma diferença entre a maré baixa e a alta de 15 metros, o que altera por completo a paisagem.

No espaço de apenas duas horas o Mont Saint-Michel, que parece estar rodeado por um imenso deserto, passa a ilha.

Este fenómeno acontece em períodos específicos, cerca de 50 dias por ano, daí para se conseguir ver a zona que o rodeia, totalmente alagada é necessário consultar o calendário das marés.

Antigamente, vários foram os carros, de condutores mais distraídos, levados pela água.

Hoje em dia, tal já não é possível, pois não é permitido ir de carro até às muralhas.

Estes são deixados em parques de estacionamento, longe da zona de alagamento e o transporte até à entrada é feito por autocarros.

O Mont Saint-Michel…

Nem consigo descrever por palavras como me senti quando, ao longe, comecei a perceber a silhueta do Mont Saint-Michel.

Tal e qual como imaginara…

Deixei o carro num dos parques de estacionamento e decidi caminhar até lá para poder absorver e saborear cada segundo desta bela experiência.

O percurso inicialmente é feito por um caminho em terra batida e, já perto do Mont, por um longo passadiço de madeira.

O Mont Saint-Michel é o ponto turístico mais visitado da Normandia e um dos mais visitados em toda a França, com cerca de 3 200 000 de visitantes por ano.

Confirmei rapidamente isso, pois apesar de ser cedo, já havia muitos turistas.

Ao chegar perto da entrada, não consegui entrar logo. Sentei-me na areia e apreciei durante vários minutos, em silêncio, o que finalmente tinha à minha frente.

No ponto mais alto do templo religioso, a quase 200 metros de altura, era visível uma estátua de São Miguel dourada.

Vários grupos passavam perto de mim, em caminhadas, organizadas, à volta do Mont Saint-Michel.

Lá me decidi a iniciar a visita.

A entrada é gratuita.

Só se paga a entrada na Abadia, 11 euros, para quem a queira visitar.

Esta é feita por uma ponte levadiça, movimentada por enormes correntes.

A partir daquele momento, começa uma intensa subida, pela rua principal do Mont Saint-Michel, a Grande Rue.

É de passagem obrigatória para quem pretende chegar ao topo da localidade.

Pelo caminho há vários restaurantes, lojas de lembranças, produtos locais, entre outros.

Até à Abadia é subir, subir, subir… Nada que enganar.

Muitas escadas para subir. Becos. Sem facilidades, à maneira medieval. É necessária alguma preparação e calçado confortável.

Após ter comprado bilhete, iniciei a visita à Abadia.

Que dizer? Simplesmente fantástica.

Estavam a rezar a missa, quando passei pela Igreja. Estava cheia de fiéis.

Podem ser visitadas 22 salas, cada uma com características arquitetónicas diferentes.

Destaco, as vistas sobre a baía, de lá de cima.

O claustro também é algo fantástico.

Apreciei cada pormenor, todos os detalhes. Com tempo…

No final da visita, escolhi um restaurante bem tradicional para almoçar e claro que escolhi omolete, entre outras especialidades normandas.

A omolete é a grande especialidade do Mont Saint-Michel. Uma receita da Mere Poulard, a dona de uma pensão, que inventou uma receita para uma refeição rápida e que rendesse, uma omolete na qual as claras e as gemas são batidas separadamente e só no fim é que se voltam a juntar. Fica alta e fofa, uma delícia.

Esperei muitos anos até concretizar este sonho, mas valeu a pena, pois sei que guardei cada segundo que lá passei.

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