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Finisterra, o fim do mundo…

Este lugar foi considerado durante séculos como o limite das terras conhecidas, o Fim do Mundo, daí o seu nome em galego Fisterra.

Hoje já não é aqui o fim do mundo, mas continua a ser o fim do Caminho de Santiago.

Este prolonga-se até aqui e termina em frente ao oceano, onde os peregrinos, segundo a tradição, queimam as roupas na orla do mar antes de iniciarem o regresso a casa.

Finisterra, na Galiza, é mais do que um simples destino turístico.

É um lugar místico, onde a história e as lendas se entrelaçam.

É o lugar onde a natureza selvagem encontra o mar Atlântico.

É, assim, considerado o ponto mais ocidental do continente, mas na realidade não é.

Desde o princípio dos tempos, Finisterra evoca um mistério na alma dos homens.

Quando os romanos chegaram a este lugar,  presenciaram o espetáculo do sol que se afunda nas águas e encontraram um altar dedicado a este astro, o Ara Solis, erguido pelas tribos celtas da zona.

Hoje é o nome atribuído a uma praça da localidade.

Até existem várias teorias que ligam a imagem do sol a afundar-se no mar com a hóstia e o cálice que formam o escudo da Galiza.

Adquire esta dimensão depois da descoberta do túmulo do Apóstolo São Tiago, mas antes do Cristianismo, os europeus já viam em Finisterra um ponto de peregrinação obrigatório.

Após instalar-me no apartamento alugado com vista sobre a Praia da Langosteira, aproveitei para descobrir esta.

Com um areal cuja extensão é de dois quilómetros de cumprimento, é um belíssimo lugar.

Gostei particularmente das conchas espalhadas por toda a praia.

Para poder apreciar a deliciosa gastronomia galega, escolhi comer num dos diversos restaurantes que se encontram perto do Porto de Finisterra.

Uma escultura ali no centro, relembra os galegos que tiveram de emigrar à procura de um futuro melhor.

Após o almoço aproveitei para uma breve visita às suas ruas calmas mas muito acolhedoras.

Estava na hora de visitar o ponto mais concorrido da localidade, o seu cabo.

Para lá chegar, é necessário percorrer um pequeno caminho que parte da localidade, junto à igreja românica de Santa María das Areas.

Esta é um dos edifícios mais importantes da vila, com uma história que remonta ao século XII.

A igreja abriga uma imagem do Cristo de Finisterra, o chamado Santo Cristo da Barba Dourada, muito venerado pelos peregrinos e que está na origem de muitas das lendas associadas a este lugar. 

Durante a subida até ao cabo é possível vislumbrar impressionantes vistas da linha de costa e da Ria de Corcubión.

Ao chegar ao Cabo de Finisterra, a paisagem é simplesmente deslumbrante.

Falésias imponentes e a extensão do Oceano Atlântico são simplesmente de cortar a respiração.

Existe ali um bar, de onde é possível assistir ao pôr do sol, de forma tranquila.

O Farol do Cabo de Finisterra, construído em 1853, tem 17 metros de altura e localiza-se a 143 metros acima do nível do mar, o que permite alcançar mais de 30 milhas náuticas.

Agora, o farol orienta o incessante desfilar de navios pela Costa da Morte.

Adorei a minha estadia em Finisterra…

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