Barroso, Concelho de Boticas, Freguesia de Dornelas, Portugal

São Sebastião no Couto de Dornelas

A 20 de Janeiro, decorrem em várias localidades do mundo inteiro, os festejos em honra a São Sebastião. No Couto de Dornelas, é colocada uma mesa, a chamada mesinha de São Sebastião, ao longo da rua principal, onde, será servida comida para todos os forasteiros que visitam a aldeia nesse dia.

Acredita-se que esta tradição tenha surgido devido às invasões francesas.

É conveniente chegar cedo para poder observar como é que todo este almoço comunitário, composto por arroz, carne de porco e pão, se prepara e serve.

O pão é feito pelas mulheres da aldeia que o amassam e cozem em forno de lenha. São centenas de pães que serão guardados até à festa numa sala, por isso é um processo que se inicia umas semanas antes.

A carne de porco e o arroz são cozidos em dezenas de potes, na chamada “casa do santo”, colocados à volta de uma enorme fogueira.

Enquanto não começa a missa, pode-se assistir aos preparativos do almoço. Se pedirem às pessoas responsáveis, de forma organizada para não perturbar o trabalho das cozinheiras, também podem entrar e ver a sala do pão.

No piso de cima, já se preparam os “caçoilos”, feitos em madeira, para servir a comida.

 

Podem assistir à missa, mas caso queiram, é conveniente ir arranjar lugar com alguma antecedência, pois a igreja é bastante pequena e são muitas as pessoas que assistem a este momento religioso. Quem não tem lugar sentado no interior, acaba por ficar em pé à porta ou no adro.

Enquanto decorre a missa, as pessoas que não assistem, podem aproveitar para uma pequena visita à aldeia. A aldeia tem ruas muito típicas com casas de granito e um maravilhoso cruzeiro.

Ao acabar a missa, as pessoas partem em procissão, atrás da cruz, da figura do São Sebastião e do Padre, até à casa do santo, para assistir à bênção do pão. Quando esta termina, a cruz e o Padre regressam à igreja. À figura do São Sebastião juntam-se, o homem das esmolas, o homem da vara e os homens das toalhas de linho, para iniciar o ritual do almoço.

O homem da esmola é o primeiro a percorrer toda a extensão da mesa, com uma cesta para recolher o dinheiro, de possíveis ofertas que as pessoas queiram dar ao santo.

A seguir vem o homem que transporta a figura do São Sebastião para que as pessoas que o desejem a possam beijar. Com uma toalha de linho branca, vai limpando o santo, entre cada pessoa. Geralmente todas as pessoas o fazem, pois é a forma de agradecimento a este, pela sua proteção.

Pelas tábuas de madeira da mesinha, os responsáveis começam a desenrolar toalhas de linho.

O homem da vara vai, com esta medida, indicar o local para colocar o pão e, onde a seguir será, também, posto um caçoilo de arroz e um pedaço de carne de porco. E, assim, de vara em vara é servida a comida na mesa.

 

E tudo isto se repete ao longo das várias centenas de metros da mesa.

Terminada a distribuição da comida, as pessoas podem começar a comer. Não há pratos, copos, nem talheres, pelo que as pessoas já devem vir minimamente preparadas para isso.

Não sei se é do frio, da fome que, geralmente, já se faz sentir a essa hora ou simplesmente deste momento de partilha, mas a simplicidade da comida, servida desta forma, torna-a a melhor do mundo. O arroz preparado na água onde cozeu a carne é assim algo de divinal. E o pão benzido tem um sabor único.

Terminado o almoço, termina a mesinha do São Sebastião.

Para o ano há mais. Assim esperamos.

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