Alturas do Barroso, Barroso, Cerdedo, Concelho de Boticas, Freguesia de Dornelas, Portugal

Rota de São Sebastião em Boticas

O dia começou muito cedo, para assistir aos vários festejos do São Sebastião no concelho de Boticas.

Por volta das nove horas, já estava a chegar a uma das aldeias mais bonita “Cerdedo“, para aí assistir à celebração, a este santo, mais antiga do concelho. Uma localidade quase que como pendurada por uma encosta abaixo, com umas vistas panorâmicas de cortar a respiração e onde tudo parece ter parado no tempo.

A missa inicia às horas em que o pároco chega à aldeia, num dia de grande azafama para ele, pois, até ao fim do dia, ainda tem várias celebrações em concelhos vizinhos. A pequena igreja estava completamente cheia, com a figura de São Sebastião colocada num altar a assistir. O sermão foi dedicado à vida deste santo adorado na região. No final o mordomo pegou nela e em procissão todos se dirigiram para a chamada casa do juiz, rezando.

Numa sala, no primeiro andar, estavam várias travessas de carne de porco e pão distribuídos por uma mesa.

O pároco benzeu os alimentos sob o olhar atento de São Sebastião.

Inicia-se a refeição comunitária, num momento de convívio, aproveitado para se falar um pouco da aldeia e das suas vivências. No final, os alimentos benzidos são colocados, em cestos, pelos degraus das escadas da casa e distribuídos pelos presentes.

Termina com um leilão de produtos doados ao santo.

Como o dia ia ser longo, desloquei-me à segunda aldeia, para assistir aquela que é a mais conhecida festa em honra de São Sebastião, a celebrada no Couto de Dornelas.

Ao chegar à aldeia, mesmo sendo um dia de semana, já tive dificuldade para estacionar o carro, pois já se encontravam muitos autocarros ali parados. Ao descer a rua principal, já se podia ver a longa mesa, feita de tábuas, onde daqui a pouco se ia colocar a comida.

Enquanto decorria a missa, aproveitei para me deslocar à chamada casa do santo, o local onde se podem comprar as broas de pão benzidas e o cenário mais conhecido desta festa, com os seus inúmeros potes, colocados em circulo à volta da fogueira.

As pessoas vão marcando os seus lugares na mesa. Ao começarem o ritual, tudo deve ser retirado da mesa. O primeiro passo é colocar a toalha por cima das tábuas. A responsabilidade por este ato é dum mordomo, que o faz recorrendo a rolos de linho enormes.

É acompanhado por outros dois mordomos, que têm como função, um pedir donativos aos visitantes para a ajuda da despesa da festa e o outro por transportar a figura do santo, para as pessoas a poderem beijar.

Chega a comida. Com a ajuda de uma varra, é colocado o pão inteiro, sempre à mesma distancia.

A seguir, transportada por vários homens, é colocada, por cima, a carne de porco cozida e finalmente o arroz.

Só depois da mesa estar pronta é que se deve começar a refeição.

É um momento de convívio, no qual as pessoas, até sem se conhecerem, trocam e partilham comida, vinho e/ou facas para cortarem os alimentos, mas, também, um tempo de reencontros de amigos.

O almoço já acaba tarde e, por isso, é tempo de partir.

A terceira aldeia visitada foram as Alturas do Barroso, onde logo pela manhã também ocorre uma procissão com o andor de São Sebastião, decorado com flores e que é colocado à porta duma sala, utilizada para preparar e onde é servida a refeição comunitária.

Logo à entrada, dois mordomos pedem às pessoas donativos para a ajuda da festa.

A sala tem uma enorme lareira, na qual são colocados os potes para prepararem a refeição.

É servida uma feijoada e servida a todas as pessoas que visitem o local nesse dia. É um momento muito animado, onde as pessoas convivem e onde, muitas vezes, acabam até por cantar acompanhando as concertinas que ali animam a festa.

O dia começou cedo e acaba tarde, num dia em que tudo é intenso e sentido, até o regresso a casa.

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