Aquando da realização de um workshop sobre cinema, há uns meses, conheci um dos locais mais singulares de Lisboa, a Fábrica Braço de Prata.


Localizado, na zona oriental da cidade, numa das zonas que eu considero, ainda, muito genuínas a de Marvila, o seu nome deriva do facto de pertencer ao Bairro de Braço de Prata.
O espaço ficou conhecido por ser uma fábrica de material de guerra, onde se construíam vários tipos de armamento.
Após o edifício ter ficado meio abandonado, devido a uma série de aventuras e desventuras ligadas a embargos e desembargos, é cedido, temporariamente até à resolução destas situações do ponto de vista legal, ao proprietário de uma livraria no Bairro Alto que tinha fechado e que o transformou num espaço cultural completamente inovador. 

E tem sido assim até aos dias de hoje, estes conflitos ainda não foram resolvidos mas este tem sido o espaço “ilegal” mais descontraído da capital.
Assim, as salas outrora ocupadas por armas e munições, passaram a ser locais de concertos, galerias de arte, salas de aulas, livraria, bares…com um dinamismo tal, que até foi referido pelo New York Times como um dos locais a não perder em Lisboa.
Na Fábrica de Braço de Prata promovem-se os artistas portugueses e tem-se acesso à Cultura a preços simbólicos, o que tem sustentado a maioria das atividades sem a necessidade de recorrerem a subsídios.
Tem uma área exterior bastante grande, vedada com um imenso muro também ele repleto de arte, que dá uma grande privacidade a todo o espaço e torna-o mais seguro.
Nesta área exterior, também, são realizados vários tipos de atividades, tais como peças de teatro, concertos de verão ou brincadeiras de crianças.
Na Fábrica há sempre eventos a acontecer, por isso, conseguiu-se aqui criar uma poderosa arma de luta, a cultura.