Quando disse que as minhas férias seriam passadas este ano em Afife, algumas pessoas disseram logo que não conheciam esta localidade.

É uma pequena localidade do Alto Minho, do concelho de Viana do Castelo, tranquila, bonita e perto de tudo o que se gosta e se precisa.
O mau tempo que se fez sentir durante toda a minha estadia, quem conhece as praias do Norte sabe o que são os dias de intensa nebulosidade e com nevoeiro que por vezes nem levanta, permitiu que eu caminhasse e descobrisse mais tudo à minha volta.
E foi, portanto, assim, com calma, com algum frio que eu caminhei e descobri uma localidade encantadora que se divide entre o mar e a serra.


A Praia de Afife tornou-se uma das praias mais procuradas no Verão, pela sua extensão de areal branco e a envolvente de dunas, que lhe confere uma beleza única.



A Praia da Arda é conhecida pelas suas ótimas características para a prática do surf e, por isso, muito frequentada pelo pessoal mais jovem.



Um extenso passadiço percorre as praias, sobre as dunas, o que permite, desta forma, usufruir e apreciar melhor toda esta beleza.


Mas desengane-se quem pensa que Afife é só praias, pois é muito mais, porque detém um admirável cenário de paisagens.
O Casino Afifense, edifício construído pelos sócios, não se conhecendo o autor do projeto, foi criado por fusão da Sociedade Recreativa Afifense com o Clube Afifense.


Realizam-se nele diversas atividades, tais como bailes, convívios, festas, entre outras, pois, curiosamente, apesar de se chamar casino, nunca serviu de casa de jogo.
A Escola Primária de Afife tem mais de 100 anos e está classificada como escola de valor patrimonial nacional, pois é um edifício que do ponto de vista arquitetónico é notável.

O Apeadeiro de Afife é uma interface da Linha do Minho, entre as estações de Darque e Caminha.

Foi aberto no dia 1 de Julho de 1878, como estação chamada “Affife“.
Sabe sempre bem, descobrir estes lugares para nos podermos perder nas memórias dos lugares. O que terão para dizer, de tudo aquilo que já viram, todos estes apeadeiros e velhas estações?

Mas o cenário mais encantador, para mim, é, sem dúvida, toda uma encosta de água criada pelo rio Afife, da serra e suas várias irregularidades até desaguar na praia.
“o rio passa em Cabanas
por entre fragas…tão lindo
que embora desça da serra
parece que vai subindo”
Pedro Homem de Mello, o poeta, que viveu nesta localidade, escreveu e dedicou muita da sua obra a estas águas e suas quedas, como que uma cascata que não quer ter fim e que vai criando vários poços, uns a seguir aos outros.


O Poço azul de Afife é um desses exemplos. Lindo. Mas ao qual recomendo aceder seguindo pelo Caminho do Barroso em vez de seguir o caminho recomendado pelo Google Maps, que indica a estrada florestal, por ser a via mais próxima mas pela qual é quase impossível o acesso a este “tanque natural”.


Gostava, particularmente, de passear, no final do dia, nos caminhos, juntos ao rio. Os mais conhecidos e os menos conhecidos e, por isso, mais selvagens.



E é justamente com as palavras deste poeta que eu termino este meu texto, por resumirem aquilo que senti aquando da descoberta deste cantinho tão bonito.
“…Nada
– Além do Rumor dos passos!
Ò minha terra vestida
Da cor da folha da rosa.
…………………………………….
– Navios que partem, pedras que ficam…“

