Fernando Pessoa gostava de escrever os seus poemas num dos cafés mais antigos de Lisboa, a Brasileira do Chiado.
Um café que atravessou todo o século XX e continua de portas abertas.

Localizado na Rua Garrett no Chiado, continua a manter-se fiel à vontade do seu fundador, Adriano Telles, importando o seu café, principalmente do Brasil.
Ainda jovem, o fundador emigrou para o Brasil onde se dedicou à produção agrícola, nomeadamente do café, o que o fez enriquecer.
Mas a saúde da sua esposa fez com que regressasse a Portugal e aqui criasse uma rede de pontos de venda do café que produzia no Brasil.
Mas os portugueses não conheciam este produto, daí não terem por hábito tomar café e o seu gosto amargo também não ajudava a que apreciassem esta bebida.
Atento a estas questões, Adriano Telles criou um estabelecimento, onde o café era distribuído gratuitamente às pessoas, como forma de começarem a apreciar a bebida.
Dizem que foi assim que nasceu o termo “bica” (o nome que se dá a um café em Lisboa), pelo facto de ser a abreviatura de “beba isto com açúcar”, um incentivo usado no estabelecimento para contrariar o gosto amargo que as pessoas associavam ao café.
No entanto, existem outras versões associadas à origem da palavra “bica”, nomeadamente o facto da bebida ser servida diretamente das bicas das máquinas onde era feito.

O espaço atravessou todo o século XX e as pessoas habituaram-se mesmo ao café.
É um espaço, portanto, repleto de história, pois acompanhou vários episódios da história portuguesa, mas, também, de histórias das pessoas que o frequentavam.
António Salazar, por exemplo, tinha um profundo respeito pela tradição histórica do café e, por isso, considerado um espaço neutro, eram proibidas as prisões dos seus opositores no interior do estabelecimento, aguardando, sempre, pela sua saída para o exterior.
É possível, descobrir esta ou outras histórias na página da “Brasileira do Chiado”: https://www.abrasileira.pt/um-espaco-com-historia/
A sua cuidada e faustosa decoração interior e a sua localização privilegiada, entre outros pormenores, rapidamente fez deste estabelecimento um espaço muito concorrido, onde se reuniam grande parte dos intelectuais, escritores e artistas da época.

Tornou-se, portanto, não é, apenas, um espaço de história(s), mas, também, um local acolhedor da Arte.
Fernando Pessoa, ou ainda, Almada Negreiros eram frequentadores da Brasileira do Chiado e aí procuravam a sua inspiração.

É um local, ainda hoje, muito concorrido e fotografado pelos inúmeros turistas que visitam Lisboa diariamente, pois é um café icónico da capital.
Eu também gosto do meu café, sem necessidade de ser “bica”, pois aprecio tanto esta bebida que é mesmo sem açúcar…

Localização: 38° 42′ 38″ N 9° 08′ 31″ O

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