Com uma fachada revestida em pedra talhada em forma de ponta de diamante, os “bicos”, o edifício conhecido como a Casa dos Bicos é, para mim, um dos mais impressionantes da cidade de Lisboa.

Localiza-se perto do Terreiro do Paço no Campo das Cebolas.
A casa foi mandada construir em 1523, por D. Brás de Albuquerque, filho de um governador da Índia portuguesa, após uma viagem a Itália, onde terá ficado completamente seduzido pelo Palácio dos Diamantes e pelo Palácio Bevilacqua em Bolonha.
Os bicos são, claramente, influência do renascimento italiano.
Mas as influências não param por aqui, também as janelas e portas apresentam pormenores desse estilo, no entanto, como o edifício é menor que os palácios italianos, a distribuição destes acabou por não ter qualquer simetria e, por isso, é irregular, com dimensões e formatos distintos, o que confere à casa um encanto muito particular.



Percebi que os bicos dos pisos inferiores tinham um aspeto muito mais desgastado. A razão para tal acontecer é que a reconstrução da casa, após a destruição dos seus pisos superiores aquando do terramoto de 1755, manteve os mesmos pormenores arquitetónicos, o que levou a novos bicos mais recentes.
Para que esta casa pudesse ser construída, a muralha pertencente à Cerca Moura que passava por este local, teve de ser destruída.
Escavações arqueológicas revelaram vestígios da muralha.
Na Casa dos Bicos, hoje em dia, funciona, portanto, o Núcleo Arqueológico do Museu da Cidade de Lisboa, que nos mostra um pouco da história da cidade, da ocupação romana até ao século XVIII.




Os pisos superiores acolhem a Fundação José Saramago.
Uma exposição permanente sobre a vida e a obra do escritor, bem como, a sua biblioteca, são algumas possibilidades de visita.
A entrada para a Fundação José Saramago não é gratuita, mas para o Núcleo Arqueológico do Museu é, o que, para quem não esteja interessado em visitar a fundação, pode sempre entrar e apreciar os belos pormenores da Casa dos Bicos.






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