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Em Omaha Beach, agradeci…

Se houve momento emotivo durante a minha viagem à Normandia, aconteceu quando visitei a Praia de Omaha (Omaha Beach).

A emoção, também, foi mais intensa por ter acabado de visitar, minutos antes, o cemitério dos Americanos, que, muito, me impressionou.

Quase 10 000 mortos sepultados num terreno com vista sobre a Praia de Omaha.

Ficou conhecida por Omaha, por ser o nome de código de um dos cinco setores escolhidos para o desembarque dos Aliados, no dia D (6 de Junho de 1944), durante a Segunda Guerra Mundial.

O setor, uma faixa da costa, com 8 km de comprimento, era da responsabilidade das tropas do Exército dos Estados Unidos, que seriam apoiadas pela Marinha Real Britânica.

Infelizmente foi a praia onde os soldados sofreram mais e onde se registou o maior número de mortes.

Nesse dia, a Divisão de Infantaria Americana responsável, que nunca tinha sido posta à prova, uniu-se a outras tropas.

Os primeiros ataques tinham como objetivo reduzir as defesas costeiras do exército alemão para permitir a aproximação de outras embarcações de maiores dimensões.

Do lado alemão, a 352ª Divisão de Infantaria contava com 12 020 homens, dos quais 6 800 eram tropas de combate experientes.

Contava, ainda, com um grande contingente de adolescentes.

A estratégia deles era baseada na derrota de qualquer ataque marítimo, estando, para tal, posicionados em pontos fortes ao longo da costa.

Mas as coisas não saíram como planeadas…

Várias embarcações sofreram inundações, antes de chegarem à praia, devido ao mau tempo que se fazia sentir nesse dia.

Outras só continuaram a flutuar porque os soldados retiravam a água do interior com os próprios capacetes.

Dificuldades na navegação fizeram com que as embarcações de desembarque falhassem os seus pontos.

O enjoo apoderou-se dos soldados.

A defesa foi dura, as embarcações que não afundavam sofreram um forte ataque ainda na água.

Os corpos começaram a avolumar-se na praia e a criar cada vez mais dificuldades aos soldados que conseguiam e queriam passar.

Foram horas de muito sofrimento, que levaram a milhares de mortes na praia e que puseram em causa o sucesso do desembarque.

Do lado alemão também se registaram pesadas baixas.

Ainda hoje, dizem que é frequente as crianças que brincam na praia encontrarem objetos pessoais dos soldados.

Ambiente pesado, por ser difícil de esquecer.

Dois monumentos, também, não deixam esquecer esses acontecimentos.

Um primeiro, construído, em pedra, para assinalar o Dia D, localizado junto à praia, relembra que foram as forças aliadas que ali desembarcaram que libertaram a Europa.

O segundo, uma escultura metálica, constituída por três partes, chamada “Les Braves”, da escultora francesa Anilore Banon, relembram os valores associados a esse dia, nomeadamente a esperança, a liberdade e a fraternidade.

Hoje, a Praia acolhe vários visitantes, uns para disfrutarem das suas águas e areal extenso e beleza natural, outros, tal como eu, para relembrar a memória de toda essa tragédia.

Durante vários minutos apeteceu-me estar sozinha junto à água e à minha maneira agradecer a todos os soldados que trocaram as suas vidas pela nossa liberdade.

Senti-me próximo deles…

Obrigada!!!

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