Há amores à primeira vista. Numa recente viagem à Galiza, aconteceu-me com a bela localidade de Combarro.

Caminhar pelas suas ruas é como fazer uma viagem ao passado, onde cada recanto revela a autenticidade de uma comunidade ligada ao mar, pois Combarro é uma pitoresca vila piscatória situada na Ria de Pontevedra.
É um autêntico cartão-postal que parece ter parado no tempo.



É famosa pela sua arquitetura tradicional galega, o número de espigueiros e pela sua beleza costeira.



Um dos elementos mais distintivos de Combarro é o abundante número de espigueiros, (conhecidos por hórreos na Galiza).
Estas construções elevadas, feitas de granito e com frestas para a ventilação, eram tradicionalmente utilizadas para armazenar e secar milho e outros cereais, protegendo-os da humidade e dos roedores.

É pela Rua Principal da localidade, embora não tenha um nome oficial único que se destaque na memória dos visitantes (muitas vezes referida como a rua que atravessa o centro histórico ou a zona dos hórreos) e nas suas ruelas adjacentes que se podem apreciar estas belas construções e entender a sua função e o seu valor arquitetónico e cultural.



Muitos deles estão estrategicamente localizados na linha de água, quase flutuando sobre a ria durante a maré cheia, criando uma imagem icónica e conferindo à paisagem um caráter único e fotogénico.
A sua topografia acompanha a inclinação do terreno em direção à ria, o que lhe confere um charme adicional e vistas inesperadas para a água entre os edifícios.


Aproveitei para fotografar, durante horas, esta bela ligação entre a água e a arquitetura.



A rua principal é o eixo central que dá vida à vila e por onde os visitantes fluem, revelando a alma de Combarro em cada passo.
Não é uma rua larga ou retilínea; pelo contrário, é estreita, sinuosa e cheia de recantos, convidando a uma exploração pausada.
Ao longo desta, também, é possível apreciar uma concentração notável de casas tradicionais de pescadores, muitas delas com dois andares.



Várias escadas ligam a rua principal às pequenas ruelas, onde flores dão um toque vibrante à sobriedade da pedra.

Alguns comerciantes, aproveitam, também, para aí colocar os seus produtos.

Além da beleza arquitetónica, a Rua Principal de Combarro é um centro de atividade.
Nela, e nas ruas que dela partem, estão localizadas as lojas de artesanato local, onde se podem encontrar produtos típicos da Galiza, desde cerâmicas a objetos de madeira.
Não faltam restaurantes e tabernas acolhedoras, onde o aroma da gastronomia galega convida a uma paragem para degustar o marisco fresco, o famoso polvo à galega ou outras especialidades.
Estes estabelecimentos, muitas vezes com esplanadas que se estendem pela rua, contribuem para o ambiente animado e acolhedor da vila.


Além dos hórreos, Combarro também se destaca pelos seus cruceiros, cruzes de pedra que são um elemento central na paisagem religiosa e cultural da Galiza.

Espalhados pela vila, estes cruceiros, muitos deles antigos e artisticamente trabalhados, adicionam uma dimensão espiritual à paisagem urbana.

Mas o que mais apreciei é a ligação de Combarro ao mar.

Esta é evidente em cada detalhe que testemunham a vida piscatória que ainda hoje pulsa na vila.




O encanto da vila é inegável, com o cheiro a maresia a misturar-se com o aroma das flores e o som suave das gaivotas.

Combarro é um lugar onde a vida quotidiana da vila se cruza com o turismo, onde a tradição se mantém viva e se encontra com a beleza natural, onde o passado se harmoniza perfeitamente com a paisagem costeira.


