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Vilarinho Seco, Coimbró e Alturas do Barroso em dia de neve

A região de Barroso, foi sempre conhecida pelo seu frio. Os mais antigos diziam que eram “9 meses de inverno e 3 de inferno”.

O inverno é rigoroso, por isso, vem sempre acompanhado de umas boas horas passadas à lareira, de geadas que pintam tudo de branco e de uns nevões, que demoram, por vezes, dias a derreterem.

A seguir a um nevão, as aldeias de Vilarinho Seco, Coimbró e Alturas do Barroso, que se situam nos pontos mais altos do concelho de Boticas, tornam-se, ainda, mais encantadoras. As paisagens são deslumbrantes e as suas gentes que apesar da neve tentam retomar as suas rotinas, criam instantes de pura poesia visual.

Este fim de semana nevou, por isso é dia de passear por estas aldeias.

É sempre bom começar esta visita, com um café bem quentinho na Carreira da Lebre, antes de seguir pela nacional 311, até ao cruzamento das Alturas do Barroso e virar em direção à primeira aldeia, Vilarinho Seco. É uma estrada estreita, com muitas curvas e zonas de grande inclinação, mas tem vistas com uma beleza inigualável. Há outras formas de chegar às Alturas, mas esta é uma opção com paisagens muito bonitas, por isso até é recomendável que se pare um pouco o carro para as poder apreciar.

Na aldeia de Vilarinho Seco, já não havia grande neve, mas é sempre tão agradável visitar esta aldeia, pois é uma das mais preservadas do concelho.

Aqui, o tempo parece ter parado e, muitas das coisas, ainda, mantêm o seu aspeto mais genuíno, hoje, realçado pela parca neve que, ainda, teimava em não derreter.

No largo principal, o tanque, o cruzeiro, a capela e o arco que atravessa a rua unindo as habitações às cortes de gado, também revelavam alguns sinais da brancura dos últimos dias.

Ao continuar o percurso pela estrada que liga esta aldeia às Alturas do Barroso, começou a aparecer a neve com mais abundância.

Ainda se tentou chegar a Coimbró, mas a quantidade de neve na estrada, misturada já com gelo, tornou a viagem numa aventura um pouco escorregadia e, por isso, a meia volta deu-se após alguns quilómetros. Mas valeu a pena, pois foi a parte da viagem com cenários mais bonitos.

As pessoas e os animais tentavam a todo o custo regressar à normalidade, mas era difícil, os lameiros, as hortas e os pastos ainda estavam cobertos de neve e gelo e muitos dos caminhos de terra pouco transitáveis.

Ao chegar às Alturas do Barroso, todas as ruas da aldeia estavam muito geladas, por isso, era tempo de continuar a pé para poder verdadeiramente apreciar estas marcas do inverno. Mais difícil foi subir e descer pelas ruas sem escorregar.

Até os animais tinham dificuldade em movimentar-se.

Toca a dinâmica e rotina da aldeia estava condicionada pois a neve abundava por toda a parte, criando, por vezes, verdadeiras barreiras.

Do telhado das casas caiam o que nesta zona se designa por “candeeiros”, que mais não são do que o registo do quanto foram rudes as temperaturas nas últimas horas.

Com o sol a começar a esconder-se é tempo de partir, pois começa novamente a arrefecer muito depressa. Mas o regresso agora é pelo outro lado, pois a estrada até Atilhó, tem zonas, que deixam a descoberto certas partes da barragem do Alto Rabagão, aqui mais conhecida por barragem dos Pisões. A água lá ao fundo a contrastar com os montes, cheios de neve, cria um cenário único.

Ainda houve tempo para poder observar e registar algum do efeito dominador da neve sobre as inúmeras cancelas, dos terrenos situados entre as duas localidades.

E assim se terminou uma visita às aldeias da neve, da qual se deixa um registo com cenários pouco vistos em outras regiões.

Venha o próximo nevão!…

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