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Cascatas de Triberg, de patamar em patamar

As cascatas de Triberg são, segundo quase toda a sinalética alemã, as mais altas da Alemanha.

A agua cai ao longo de 163 metros, em vários socalcos, através de um desfiladeiro de granito coberto de pinheiros.

É esse título que trouxe fama à vila muito antes dos relógios de cuco, e continua a ser, ainda hoje, a razão pela qual a maioria das pessoas ali chega.

O acesso faz-se a pé, por um caminho que sobe junto à água, pouco mais de meia hora até ao ponto mais alto, se não se parar, embora seja difícil não parar, porque cada socalco tem o seu próprio ângulo e a sua própria luz.

O caminho sobe em ziguezague, ora por escadas de pedra talhadas na encosta, ora por passarelas de madeira suspensas mesmo por cima da água.

Entre um patamar e o seguinte há sempre um pequeno recanto para parar, uma varanda de madeira, um banco, e parei em quase todos, porque cada um mostra a queda de água de um ângulo diferente.

O que mais me surpreendeu foi perceber que não se vê a cascata toda de uma vez. Vai-se descobrindo aos poucos, socalco a socalco, e confesso que gostei disso, gostei de não ter tudo entregue logo ao primeiro olhar.

Não é um passeio longo, mas caminhei devagar de propósito, porque parar em cada patamar não serve só para descansar as pernas, serve para deixar que os olhos se habituem à escala daquilo, das árvores tanto como da cascata.

As árvores acompanham o caminho tão de perto que por vezes esqueci que estava a subir por causa de uma cascata e não por causa delas.

São sobretudo abetos, altos e direitos, com aquele verde tão escuro que de longe parece preto, e foi isso, sei bem, que deu o nome à floresta.

Há bancos e miradouros espalhados ao longo da subida, e o percurso está bem sinalizado, sem grande dificuldade técnica, ainda que alguns troços tenham escadas e piso irregular.

A entrada é paga.

O bilhete pode ser comprado junto ao início do percurso, perto do centro da vila.

Há quem ache excessivo pagar-se para “ver só uma cascata”.

Até entendo a crítica.

A Floresta Negra tem outras quedas de água gratuitas e menos concorridas.

Mas para mim valeu a experiência completa: a caminhada, o som da água a acompanhar cada passo, a floresta…

Não fui só ver uma cascata,  fui caminhar dentro de uma paisagem que parece ter sido desenhada.

Muita gente, tal como eu, prefere Triberg pelas cascatas e não pelas lojas de relógios, pois por muito bonito que seja um cuco de madeira, não compete com uma cascata destas.

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