Triberg é uma pequena vila que guarda mais surpresas do que aparenta.

Cheguei de carro, pela B500, uma estrada de curvas fechadas e miradouros que já por si foi um convite a parar várias vezes antes de chegar.



Ao chegar à localidade, estacionei o carro e desci a pé pela rua principal, devagar, a olhar para as montras.
Foi ali que percebi que Triberg vive de duas coisas: água e relógios.


A cascata anuncia-se pelo som muito antes de se ver, e as montras enchem-se de cucos de madeira, uns pequenos, outros enormes, todos a espreitar por trás do vidro como se estivessem à espera de dar as horas.


A cascata
Sabia que ia ver a cascata mais alta da Alemanha, 163 metros de água a despenhar-se em sete quedas sucessivas, mas nada me tinha preparado para o som.
Ouve-se antes de se ver.

Entrei pela entrada principal e segui o trilho das cascatas, o mais curto dos três percursos marcados.
Em pouco mais de meia hora de caminhada tranquila, sempre a subir, sempre com a água a acompanhar, cheguei à primeira plataforma, e já ali percebi porque é que tanta gente atravessa a Alemanha só para ver isto.
O que mais me surpreendeu foi perceber que não se vê a cascata toda de uma vez. Vai-se descobrindo aos poucos, socalco a socalco, e confesso que gostei disso, gostei de não ter tudo entregue logo ao primeiro olhar.

As árvores acompanham o caminho tão de perto que por vezes esqueci que estava a subir por causa de uma cascata e não por causa delas.

A cascata está acessível a qualquer hora do dia, mas a entrada é paga entre as 9h00 e as 19h00.
À noite, até às 22h00, fica iluminada, e dizem que é um espetáculo à parte, sobretudo no inverno, com o gelo a brilhar.
O bilhete dá também acesso ao Museu da Floresta Negra.
A Haus der 1000 Uhren
Perto da cascata, encontra-se a Casa dos 1000 Relógios, reconhecível de longe pela fachada.


Lá dentro, dois andares cobertos de relógios de cuco, desde os mais tradicionais, em madeira escura e com pinhas penduradas, até versões modernas que já pouco lembram o original.



Fora do centro, a caminho de Schonach, passei também pela Eble Uhren-Park.


Uma nota final
Há quem diga que Triberg é só turismo e recordações a peso de ouro, e não vou negar que a rua principal tem muito disso.
Mas por trás das montras cheias de cucos há uma vila genuína, presa entre montanhas, com uma tradição relojoeira que atravessou séculos e uma cascata que continua a impor respeito, por mais fotografada que seja.

Voltaria sem hesitar.